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Avanço de Flávio antecede guerra no Supremo

O cientista político Vinícius Justo, sócio-fundador da Plano Político, empresa de consultoria política, aponta que o crescimento de Flávio Bolsonaro antecede a deflagração da guerra no Supremo (em 1/9, quando o ministro do Supremo André Mendonça tornou público o relatório da Polícia Federal sobre a troca de mensagens entre seu colega Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro).

“A partir desse momento [1/9], não dá para separar as duas coisas, porque há muitos fatos ocorrendo ao mesmo tempo, mas é certo que a tendência de alta do Flávio já vinha de antes”, diz Justo.

O cientista político trabalha com um agregador de pesquisas e com um modelo preditivo probabilístico sobre quem vai ganhar a eleição, baseado em pesquisas, no histórico de eleições e de pesquisas sobre eleições e na formação do eleitorado brasileiro.

Em termos de segundo turno, considerando apenas votos válidos e pesquisas nacionais, o agregador apontava Lula com 51,8% e Flávio com 48,2% em 24/8; Lula com 50,5% e Flávio com 49,5% em 2/9; e Flávio com 50,2% e Lula com 49,8% hoje.

Já o modelo preditivo saiu de 62% de chances de Lula e 34% de Flávio, em 24/8; para 53% de Flávio e 44% de Lula, hoje.

“Nas duas últimas semanas [o modelo] embicou na direção do Flávio violentamente”, diz Justo.

Ele nota que as cinco pesquisas nacionais divulgadas desde segunda-feira, 7/9 (Quaest, Nexus, Gerp, Meio/Ideia e Palver), mostram crescimento de Flávio. Nas cinco, o candidato ou empata ou está na frente de Lula nos segundo turno.

“A novidade desta semana é o Flávio ganhando algum espaço também no primeiro turno”, assinala Justo.

Para Ricardo Ribeiro, analista político da 4intelligence, as pesquisas divulgadas nesta semana não sustentam a tese de que a crise no Supremo Tribunal Federal já tenha alterado o quadro eleitoral. Na sua visão, as oscilações são pequenas, e há eventos demais ocorrendo simultaneamente para se atribuir causalidade a um único fator.

Segundo Ribeiro, o movimento de moderada mas constante recuperação de Flávio Bolsonaro, com queda simétrica de Lula, já estava em curso desde o fim de julho e início de agosto – antes, portanto, do acirramento do embate no Supremo.

Olhando o contexto mais amplo da crise no STF, porém, o analista pensa que ela pode reforçar um cenário já desfavorável a Lula. Na percepção predominante do eleitorado, o ministro mais desgastado, Alexandre de Moraes, está hoje mais associado ao campo governista do que ao bolsonarismo – o que se soma a outros fatores desfavoráveis ao presidente. Numa eleição polarizada e equilibrada, a evolução da intenção de votos funciona como gangorra: quando um sobe, o outro desce, ainda que em movimentos moderados

Como causa da ascensão de Flávio Bolsonaro, Ribeiro cita a piora na percepção sobre a economia, que não reflete necessariamente os números: a inflação de alimentos está comportada e o mercado de trabalho segue firme, com a atividade esfriando pouco. Mas a percepção conta, e joga contra o governo no poder. O analista menciona também a exposição na mídia de vazamentos envolvendo o filho do presidente, Lulinha, e seu círculo próximo. Já o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro saiu do noticiário nas últimas semanas, embora tenha voltado um pouco agora.

O resultado de tantos escândalos, e de bombas que ainda podem estourar na esteira da guerra no Supremo, é uma imponderabilidade crescente, na visão de Ribeiro. As duas alas do STF seguem em pé de guerra, associadas aos dois campos políticos que se enfrentam nas urnas, e o próprio desfecho eleitoral pode inclinar a balança para um lado ou outro dentro da Corte. De qualquer forma, quem tiver uma bomba para soltar, vai soltar -, e a eleição, hoje empatada, pode ser decidida pela última que explodir.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às segundas, terças e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 9/9/2026, quarta-feira.

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