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Banco Central indicado por Lula corta juros próximo das eleições, mas mantém a reputação intacta

No mesmo dia em que divulgou uma contração de 0,2% da economia brasileira, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano. O corte, desta vez, não trouxe comoção no mercado financeiro porque já estava previsto e porque há sinais de desaceleração da economia, de um lado, e de melhora de alguns indicadores de inflação, de outro.

O Banco Central manteve o mistério sobre o que deve fazer no próximo encontro do Copom, de novembro, porque até lá o País terá atravessado o período eleitoral, e o momento é de incertezas também no mundo, principalmente pela guerra no Irã. Ele pode tanto interromper o ciclo de reduções, ou seja, fazer uma pausa para analisar o cenário, como seguir com as quedas nesse mesmo ritmo de 0,25 ponto, o que já vem fazendo há cinco reuniões.

Atual diretoria do BC atravessou o período eleitoral sem provocar volatilidade Foto: Wilton junior/Estadão

Ontem, foi a vez de o Federal Reserve, o banco central americano, subir os juros em 0,25 ponto, pela piora da inflação nos EUA, puxada pela disparada do preço do petróleo, que voltou a ser cotado acima da barreira dos US$ 100. Mesmo com a pressão de Donald Trump, o novo presidente Kevin Warsh vem cumprindo o seu mandato, o que ajuda a atenuar incertezas.

Os movimentos entre os dois bancos centrais podem parecer contraditórios, mas aqui no Brasil a Selic continua extremamente elevada, e o Banco Central precisa ajustar a Selic pensando também no impacto sobre o endividamento das famílias e das empresas. Trata-se, portanto, de uma calibração da Selic, e não de um medida com viés eleitoral, para dar impulso à atividade. É por isso que o BC falou em manter a “restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Os juros só não caíram mais rápido este ano porque o presidente Lula ainda não entendeu princípios básicos da macroeconomia, e esqueceu o que fez de correto em seus dois primeiros mandatos. Esta semana, deu declarações de que a independência do Banco Central não funcionou – exatamente o contrário do mostram os índices de inflação – além de ter afirmado que é preciso parar com a “babaquice de fazer superávit”.

O mercado, por outro lado, se ilude com a candidatura de Flávio Bolsonaro e aposta em ajuste fiscal baseado em propostas ao vento e desconsiderando riscos institucionais. A crença de que há um “liberalismo econômico” dentro da família Bolsonaro está muito mais associada ao antipetismo arraigado dos investidores. Nenhum dos candidatos apresentou propostas concretas na área.

Depois do escândalo do banco Master, que colocou a supervisão do Banco Central em xeque, a gestão Galípolo conseguiu chegar ao término do período eleitoral sem provocar volatilidade e com a reputação intacta. Para quem apostava em uma diretoria leniente indicada por Lula, o que se viu foram decisões técnicas, que serviram como âncora para a economia, em contraste com as incertezas da política fiscal e o desajuste das contas públicas.

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