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Brasil reforça liderança mundial em frango e ovos

Setor projeta 15,4 milhões de toneladas de frango em 2025 e 62 bilhões de ovos, mas enfrenta pressão de custos e restrições nas exportações

Ovos produzidos no Brasil chegam a família de 100 países. Foto: Adobe Stock

Nesta quinta-feira, 28, é comemorado o Dia do Avicultor, data criada para valorizar o trabalho dos produtores responsáveis por uma das cadeias mais estratégicas da agropecuária nacional. A homenagem não é ocasional: a carne de frango brasileira está na mesa de mais de 150 países, o que torna o Brasil o maior exportador mundial e o segundo maior produtor da proteína.

Em 2024, a produção brasileira de carne de frango atingiu um recorde: cerca de 15 milhões de toneladas, segundo estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O abate desses animais também registrou recorde, com mais de 6,46 bilhões de unidades, representando um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior.

Os ovos produzidos no Brasil também fazem sucesso mundo afora, chegando a famílias de aproximadamente 100 países. E o que sai para exportação é apenas uma pequena parte de uma produção que, em 2024, atingiu 4,67 bilhões de dúzias, um aumento de 10% em relação a 2023, segundo o IBGE.

Projeções para o setor

Reconhecida pela eficiência e qualidade, a avicultura projeta novo avanço em 2025, com produção de até 15,4 milhões de toneladas de carne de frango, segundo a ABPA. O volume representa alta de 3,2% sobre 2024 e deve consolidar o País como maior exportador global da proteína.

Em 2024, 64,7% da produção nacional abasteceu o mercado interno e 35,3% foi exportada, de acordo com dados do Ministério da Agricultura. Para 2025, a expectativa da ABPA é de até 5,35 milhões de toneladas exportadas, alta de 1,9%, e consumo interno próximo de 10,2 milhões de toneladas, ou 47,8 quilos per capita.

A produção de ovos deve chegar a 62 bilhões de unidades em 2025, crescimento de 7,5% sobre 2024. Para 2026, a projeção é de até 65 bilhões de ovos. O consumo per capita deve subir de 269 unidades em 2024 para 288 neste ano e 306 em 2026. As exportações também avançam: de 18,4 mil toneladas em 2024 para até 40 mil toneladas em 2025.

Rebanho em crescimento

Dados do IBGE mostram que o rebanho de galináceos manteve trajetória de crescimento nos últimos cinco anos. O efetivo passou de cerca de 245 milhões de aves em 2019 para 260 milhões em 2023. O mapa revela forte concentração no Sul e Sudeste, com destaque para Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de Goiás no Centro-Oeste, todos com plantéis superiores a 17 milhões de cabeças.

Juntos, a avicultura e a suinocultura geram cerca de 4 milhões de empregos direta e indiretamente. Apenas na indústria frigorífica, são mais de 300 mil postos de trabalho. São colaboradores monitorados por programas internos direcionados à saúde e bem-estar no ambiente de trabalho.

Desafios e custos

Apesar do crescimento da produção e da conquista de novos mercados, a avicultura enfrenta uma equação financeira cada vez mais desafiadora. O projeto Campo Futuro (CNA/Senar) mostra que a produção integrada de frango acumula margens negativas desde 2018. Isso significa que, mesmo com o aumento no volume de abates e exportações, muitos produtores integrados não conseguem cobrir plenamente seus custos.

Os gastos fixos, que ficam a cargo do avicultor — como energia elétrica, combustíveis, mão de obra e manutenção das instalações — avançaram de forma expressiva nos últimos anos. Entre 2018 e 2024, o capital necessário para construir e equipar um aviário cresceu 37,4%, chegando a quase R$ 909 por metro quadrado de área produtiva. Essa elevação pressiona diretamente a viabilidade de novos investimentos.

Outro ponto crítico é a dependência dos grãos. Segundo a Embrapa, o milho e a soja representam mais de 70% dos custos totais do setor, refletindo a oscilação dos preços no mercado interno e internacional. Isso torna a cadeia vulnerável à volatilidade cambial, às condições climáticas e às disputas comerciais globais.

Mercados internacionais

Um dos principais desafios do setor é recuperar mercados que ainda mantêm restrições à carne de frango brasileira após o registro de um caso de gripe aviária, neste ano, em uma granja comercial de Montenegro (RS). Canadá, China, Malásia, Paquistão, Timor-Leste, União Europeia ainda mantém restrições à compra de carne de frango brasileiro.

“Muito diferente de outras nações que, quando tiveram seu primeiro episódio de Influenza Aviária, despencaram nas exportações e tiveram problemas no mercado interno, nós mantivemos as exportações em volumes superiores a 400 mil toneladas ao ano e a disponibilidade no mercado interno de 47,8 kg per capita/habitante/ano. Essa é uma vitória dentro de um cenário tão difícil”, afirmou o presidente da ABPA.

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