
A italiana Cementir e a brasileira Votorantim Cimentos seguem na disputa pela CSN Cimentos, dizem fontes Foto: CSN Cimentos/Divulgação
A companhia italiana Cementir e a brasileira Votorantim Cimentos seguem na disputa pela CSN Cimentos, mesmo após a oferta vinculante entregue ter expirado sem ser aceita pela CSN, apurou a Broadcast. Esta semana, a Cementir, que é listada em bolsa, informou ao mercado sobre o vencimento da proposta, mas fontes que participam do processo e com proximidade com a CSN afirmam que o comunicado é uma mera formalidade e aparece apenas para criar pressão sobre o vendedor, ilustrando o tradicional embate em negociações com o empresário Benjamin Steinbruch.
As discussões estão nesse momento nas condições do contrato de compra e venda, delimitando garantias e eventual contraparte a possíveis contingências, disseram fontes. O valor da venda da CSN Cimentos segue na casa de ao menos R$ 12 bilhões, acrescentam. Mas a forma como esse dinheiro chega às mãos da CSN pode definir o comprador.
A chinesa Huaxin também entregou proposta vinculante pela CSN Cimentos. Nos bastidores, havia mais expectativa em relação a essa oferta do que à da Votorantim e da Cementir.
A Huaxin adquiriu a Embu S.A., uma das maiores produtoras de pedra brita do Brasil, o que indica uma estratégia no fornecimento de concreto para obras de grande porte. Mas, segundo uma das fontes, a Votorantim teria maior facilidade de negociação dos detalhes do contrato, por conhecer melhor o mercado cimenteiro do que a chinesa.
Questão de preço
Uma fonte ressaltou que, tanto a oferta de Cementir+Votorantim quanto a da Huaxin, passam por ajustes (um pente fino) para chegarem ao valor considerado justo da cimenteira. Steinbruch busca uma valorização na casa dos R$ 15 bilhões, arguindo que a CSN Cimentos oferece várias portas de crescimento futuro ao novo dono.
Um fator que vai pesar é que se tenta evitar a entrada de um peso-pesado da indústria cimenteira chinesa no mercado brasileiro. Seria um grande desastre, observou um interlocutor.A CSN tem afirmado a investidores que deve fechar a transação até o fim do terceiro trimestre, nos mais tardar com assinatura do contrato de compra e venda em meados de outubro.
A venda faz parte de um cronograma anunciado ao mercado para reduzir o endividamento da companhia. A siderúrgica tem dívida líquida de R$ 42 bilhões e alavancagem de quase 3,5 vezes na relação dívida líquida/Ebitda.No início deste mês, o então presidente executivo da companhia, Benjamin Steinbruch, deixou o posto, que passou a ser ocupado por Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale, com carreira em empresas como a Klabin e a Ultrapar.
A chegada do executivo gerou sentimento positivo no mercado, que enxerga a mudança como favorável diante dos desafios que a empresa enfrenta. Steinbruch passou à presidência do Conselho de Administração da companhia.