Search
Close this search box.

Citros Cepea: Fraca demanda europeia pressiona valor da laranja ao produtor de SP

Fraca demanda europeia pressiona valor da laranja ao produtor de SP

 


As perspectivas iniciais de exportadores para a temporada de embarques 2025/26 de suco de laranja eram positivas, especialmente diante da isenção da sobretaxa dos Estados Unidos sobre as importações da commodity do Brasil e da reação na produção de laranja no estado de São Paulo.
No entanto, a limitada demanda por parte da Europa tem mantido as vendas externas de suco aquém do esperado neste começo de safra (de julho/25 a outubro/25). Para novembro, tudo indica que as exportações devem seguir registrando fraco desempenho, tendo em vista que as compras europeias ainda não sinalizam melhora.
Diante desse cenário, agentes de indústrias processadoras do estado de São Paulo vêm adotando uma postura de extrema cautela em termos de compra de novas frutas. A estratégia tem sido a de cessar, por ora, o fechamento de novos contratos, mantendo somente contratos firmados anteriormente, e com novas aquisições exclusivamente no mercado spot, onde compradores propõem valores mais baixos: de R$ 35,00 a R$ 38,00/cx, com a fruta posta na indústria paulista.

Atraso na safra e queda nos preços aumentam a preocupação entre citricultores
É importante destacar que, na atual temporada, os contratos para venda de laranjas à indústria começaram de forma mais tardia e com volumes acordados bastante reduzidos, já que a safra se iniciou mais tarde e a segunda florada, responsável por 70% da produção, só começou a ser processada de forma efetiva após setembro.
Assim, o cenário é de apreensão. Os menores preços ofertados podem comprometer a viabilidade financeira de muitos pomares, sobretudo se esse patamar continuar até o final da temporada. Para uma parcela significativa dos produtores, os valores praticados nos últimos dias estão muito próximos ou mesmo abaixo dos custos de produção, levantando o temor de que muitos não conseguirão fechar as contas no final da safra.

Mercado global pressiona preços da laranja
Com os preços de exportação do suco pressionados e a demanda limitada, concorrentes do Brasil, como Egito e México, também seguem com dificuldade de escoar seu produto. Agentes consultados pelo Cepea relatam que o Egito avançou bastante na produção de suco no ano passado, com os preços altos, realizando investimentos e que, agora, as margens podem ser pressionadas, dificultando a recuperação do investimento realizado.
No segmento de fruta de mesa, o mercado também começa a sentir os reflexos da pressão baixista da indústria. Com os menores valores pagos pelos processadores, espera-se que parte da produção seja direcionada ao comércio fresco, o que deve elevar a oferta nas centrais de abastecimento e, consequentemente, exercer pressão sobre os preços aos produtores.

Na parcial desta semana (de 10 a 14 de novembro), a laranja para indústria foi negociada no mercado spot à média de R$ 39,91/cx de 40,8 kg, posta, forte queda de 12,67% frente à do período anterior. A laranja pera de mesa foi comercializada, em média, a R$ 58,40/cx de 40,8 kg, baixa de 3,11%. A oferta de frutas para mesa segue ajustada à demanda, mas com tendência de ampliação. A laranja lima foi comercializada a R$ 88,54/cx, aumento de 0,30%. A murcote, em fim de safra, apresenta média de R$ 94,13/cx, aumento de 6,87%. As variedades valência e natal são negociadas às médias de R$ 56,20/cx e de R$ 58,88/cx, respectivamente.
O limão tahiti ainda continua em desvalorização, com a média desta semana a R$ 30,79/cx de 27,2 kg, queda de 10,65%. A fruta para exportação registra média de R$ 35,58/cx, retração de 11,94%.

 

Cyro Pena Jr

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *