Capital Insights: Desajuste na estrutura de capital tem levado empresas à recuperação, diz Santos
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A Claro obteve aprovação do Cade para adquirir a Desktop por R$ 4 bilhões, sem restrições, fortalecendo sua presença no mercado de banda larga em São Paulo, onde compete com a Vivo. A análise do Cade identificou sobreposição em 198 municípios, mas concluiu que a concorrência local e nacional mitiga riscos de concentração. A Claro, com 4,5 milhões de clientes, busca liderança no estado. A transação, iniciada em março, inclui 84 milhões de ações da Desktop, com planos de adquirir os 27% restantes no mercado.
A Claro recebeu aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para comprar a Desktop por R$ 4 bilhões, sem a imposição de restrições. A aquisição reforça a presença da operadora no mercado de banda larga em São Paulo, onde disputa a liderança com a Vivo.
A análise identificou sobreposição das duas empresas em 198 municípios e participações conjuntas elevadas em parte deles. Ainda assim, a Superintendência-Geral do Cade concluiu que a presença de concorrentes locais e nacionais é suficiente para limitar o risco de concentração de mercado.

No entanto, o parecer considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado decorrente da operação, mesmo nas cidades onde a participação de mercado será mais significativa.
“As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”, descreveu o órgão antitruste, citando a presença de infraestrutura de redes e de concorrentes locais e nacionais que são capazes de garantir a concorrência de mercado, na sua visão.
A análise da superintendência identificou ainda que a Claro terá incentivos econômicos privados para desocupar, gradualmente, as infraestruturas consideradas redundantes.
Claro tem 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%) – Vivo tem 4,9 milhões (31%)
A Desktop tem 1,2 milhão de clientes em 198 cidades no Estado de São Paulo, o equivalente a 7,6% de participação no mercado. Para a Claro, a aquisição representa um avanço importante no Estado, onde disputa a liderança com a Vivo. A Claro tem 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), enquanto a Vivo conta com 4,9 milhões (31%).
Em maio, a operação também recebeu anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Antes disso, porém, a sinalização inicial era contrária a essa transação. Em outubro de 2025, quando vazaram notícias sobre a negociação, a Anatel fez uma análise preliminar apontando efeitos negativos ao mercado e à entrada de novos competidores se fosse confirmada a aquisição da Desktop pela Claro.
A transação entre Claro e Desktop foi celebrada oficialmente em março deste ano pelo valor de R$ 4 bilhões, considerando R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão da dívida líquida que será assumida.
A Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora. Os vendedores são o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital; e um grupo de pessoas físicas, incluindo o fundador da empresa, Denio Alves Lindo. Numa segunda etapa, a Claro deverá fazer uma oferta para comprar os 27% das ações remanescentes no mercado.
A Desktop nasceu em 1997, em Sumaré (SP). Em 2020, recebeu aporte da HIG Capital para acelerar o crescimento; em 2021, lançou ações em Bolsa. Desde o fim de 2025, a empresa conversava com a Claro. Antes, chegou a negociar com a Vivo, mas não houve acordo sobre o preço.