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Clubes e federações dizem que acabar com bets é ‘golpe fatal’ no futebol brasileiro

Federações de futebol e clubes brasileiros, como Flamengo e Santos, publicaram um manifesto em 17 de setembro de 2026, criticando o plano do governo Lula de proibir cassinos online, considerado um ‘golpe fatal’ para o futebol. As apostas são vistas como a principal fonte de renda do esporte, e a proibição poderia levar clubes à insolvência. O governo planeja enviar uma Medida Provisória ao Congresso antes das eleições, gerando preocupação entre empresas de apostas e clubes sobre impactos financeiros e legais.

BRASÍLIA – Federações de futebol publicaram um manifesto, nesta quinta-feira, 17, por meio do qual classificam como um “golpe fatal no futebol brasileiro” o plano de acabar com as bets no Brasil.

A expectativa é de que uma MP seja enviada ao Congresso ainda antes do primeiro turno das eleições. A crítica às bets virou um tema trabalhado pelas campanhas dos principais candidatos.

Clubes e federações dizem que acabar com bets é ‘golpe fatal’ no futebol brasileiro Foto: Getty Images

O que diz o manifesto

No manifesto, os clubes e as federações afirmam que as empresas de apostas se tornaram a principal fonte de renda do esporte nos últimos anos, para equipes grandes e pequenas. E por isso dizem que uma “mudança abrupta” desequilibraria o futebol.

“A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado”, diz o texto.

O documento foi divulgado por algumas das principais federações do futebol brasileiro, como as de Rio de Janeiro e São Paulo. Clubes como Flamengo, Santos e Fluminense também deram publicidade ao manifesto nesta quinta.

“O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado”, destaca o manifesto.

Receita das bets em xeque

A reação atende a uma pressão direta das empresas de apostas, que estão preocupadas com a queda da receita com uma eventual proibição dos jogos online, que representam a maior parte do faturamento delas.

Isso porque, ainda que a medida não deva proibir apostas esportivas, segundo representantes do mercado, os cassinos online representam de 60% a 90% das receitas das bets. As apostas esportivas, como as feitas em resultados de partidas de futebol, variam de 10% a 40%.

O aquecimento das conversas sobre uma medida mais dura do governo Lula tem mobilizado empresários de bets. Eles tratam a proposta como eleitoreira e avaliam que ela jogará um contingente de cerca de 31 milhões de apostadores para o mercado ilegal, onde jogos como o do tigrinho são populares.

Os clubes, as federações e as bets não foram comunicadas sobre a versão final pretendida pelo governo e se dizem preocupados com “rumores”. Entre eles, o de que um dos pontos da MP trataria da vedação de publicidade destacada nos uniformes dos times de futebol, com um prazo para adequação.

As bets também têm cobrado uma posição da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que optou por tratar o tema com cautela.

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