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Combustvel pago, mas no entregue: bombas antifraude querem mudar isso

Com a recente repercussão da Operação Carbono Oculto, a qualidade do combustível voltou aos holofotes. A ação, considerada a maior operação coordenada de autoridades da história do País, revelou um esquema bilionário que utilizava a cadeia de combustíveis em conjunto com o mercado financeiro formal para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.

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Mas além da adulteração do produto, existe um outro tipo de golpe que prejudica o consumidor de forma silenciosa: a fraude volumétrica. Nesse esquema, dispositivos eletrônicos instalados nas bombas fazem com que o visor indique mais litros do que efetivamente chegam ao tanque.

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Ou seja, o motorista paga por um volume que nunca recebeu. O problema é tão grave que especialistas classificam esse tipo de fraude como quase impossível de ser identificado pelo consumidor sem equipamentos de aferição.

Como a tecnologia tenta barrar o golpe

Tecnologia já existe para barrar os golpes e muitos postos estão investindo para garantir transparência ao consumidor
 Imagem: Divulgação

Para enfrentar esse cenário, o Inmetro atualizou seu Regulamento Técnico Metrológico (RTM), criando requisitos para bombas de combustível com sistemas mais seguros. A primeira fabricante a lançar equipamentos dentro da nova regra foi a Wayne Fueling System, que desenvolveu as chamadas bombas antifraude.

Segundo a empresa, a diferença está no PULSER, componente responsável por gerar a informação do volume abastecido. Agora, o equipamento é totalmente selado e envia os dados de forma criptografada, com uma assinatura digital que impede adulterações no caminho entre o medidor e o visor. Isso significa que ninguém pode manipular a leitura para enganar o consumidor.

“É importante que os motoristas saibam que existe essa tecnologia e que muitos postos já estão investindo nela para garantir transparência no abastecimento”, explica Stelmo Carneiro, Diretor Geral sênior e GM Latam da Wayne.

Transparência para o consumidor

Bomba de combustível
Bomba de combustível criptografada: já existem 5,2 mil postos no Brasil com o equipamento atualmente
Imagem: Divulgação

Além da inovação tecnológica, o consumidor tem à disposição ferramentas para se proteger. O IPEM-SP criou uma plataforma digital que mostra quais postos já utilizam bombas antifraude.

Para Carneiro, a iniciativa é positiva não apenas para os clientes, mas também para os empresários do setor. “Essa visibilidade valoriza o dono de posto que faz o investimento em segurança e nem sempre recebe o destaque merecido”, afirma.

Para identificar uma bomba de combustível criptografada em um posto, procure por um selo ou símbolo de segurança no painel da bomba, que indica a presença de tecnologia antifraude. Ao final do abastecimento, o visor da bomba exibirá uma mensagem ou símbolo confirmando que o sistema antifraude está ativo. A verificação precisa ser feita por um fiscal do IPEM ou Inmetro. Uma alternativa é consultar a plataforma online do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (IPEM-SP) para localizar postos que já utilizam esse tipo de bomba. 

Não há um número exato de bombas criptografadas instaladas no Brasil hoje, pois a adoção está ocorrendo de forma gradual. No entanto, já é possível ter uma ideia do cenário atual. A instalação de bombas antifraude será obrigatória em todos os postos de combustível do país até 2029, conforme o regulamento técnico metrológico RTM 227/2022.

O estado de São Paulo é um dos mais avançados nesse processo. Segundo o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP), em setembro de 2025, já havia 460 bombas certificadas instaladas em 171 postos, de 177 municípios do estado paulista. Em setembro de 2025, o total de postos com bombas antifraude no Brasil chegava a 5.200. Deste total, a Wayne informa que já instalou 3.500 unidades.

Em casos de bombas flagradas com fraudes, como na prática da “bomba baixa”, a Portaria nº 170/2025 do Inmetro já exige a substituição imediata por um modelo criptografado, sem a necessidade de esperar até 2029.

A norma visa combater as fraudes metrológicas, garantindo que o consumidor receba a quantidade exata de combustível pela qual pagou. A criptografia do sistema impede a manipulação eletrônica dos medidores e do visor da bomba. Essa iniciativa é uma resposta aos diversos casos de adulteração de bombas identificados em fiscalizações, como a Operação Carbono Oculto da Receita Federal.

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