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O ano de 2025 ficará marcado na história da tecnologia como o período em que a Intel precisou se reinventar sob pressão extrema. Após enfrentar uma crise de confiança e financeira que culminou na saída de Pat Gelsinger e na chegada de Lip-Bu Tan ao comando, a gigante de Santa Clara executou uma reestruturação agressiva. O plano incluiu cortes severos na força de trabalho e a suspensão de fábricas na Europa para estancar a queima de caixa. No entanto, o jogo virou com o apoio estratégico do governo americano e uma parceria inédita de US$ 5 bilhões com a Nvidia, sinalizando que a “soberania dos chips” nos EUA ainda passa, obrigatoriamente, pela Intel.
Neste cenário de transformação, Gisselle Ruiz Lanza, Presidente da Intel para a América Latina, reforça que a região não foi apenas uma espectadora, mas parte ativa dessa “nova Intel” mais ágil e simplificada. Gisselle destacou que o foco agora é a proximidade com o cliente e a entrega de inovação acessível, adaptando-se às necessidades locais de infraestrutura e IA. Segundo ela, o endosso do mercado global e os novos modelos de colaboração estratégica garantem a resiliência necessária para que países como o Brasil avancem em seus planos nacionais de inteligência artificial.
A consagração dessa volta por cima acontece agora, na CES 2026. A companhia aproveitou o palco de Las Vegas para lançar a linha Intel Core Ultra Série 3 (Panther Lake). Estes são os primeiros chips comerciais fabricados no processo Intel 18A, que promete até 27 horas de bateria em notebooks.
A Intel inicia 2026 com o foco na tríade “design, fabricação e comercialização”, algo único no setor, que volta a ser o grande diferencial competitivo. Para o mercado latino-americano, a mensagem de Gisselle é clara: a Intel está mais sólida do que nunca e pronta para sustentar a próxima grande onda de investimentos em data centers e PCs com IA.
Forbes Brasil – Como a América Latina foi impactada pela reestruturação estratégica da Intel?
Gisselle Ruiz Lanza – A região seguiu o modelo global da companhia, adaptando-se a um cenário de grandes mudanças geopolíticas e de mercado. O foco foi entender a dinâmica de aceleração em infraestrutura e inteligência artificial para tornar a inovação mais rápida e acessível. A estratégia central foi otimizar custos, agilizar processos e reestruturar a operação para estar mais próxima dos clientes, garantindo velocidade em um mercado que se transforma de maneira inédita.
FB – Qual a relevância das parcerias recentes, como a feita com a Nvidia, para o futuro da empresa?
Gisselle – Mais do que o aporte financeiro em si, o ponto mais estratégico é a proposta de colaboração em produtos para múltiplos anos. Essa união de dois grandes ecossistemas redefine a indústria de semicondutores. Além disso, o apoio do governo americano funciona como um endosso fundamental, reforçando a credibilidade da marca e a solidez da sua capacidade de inovação contínua.

FB – De que forma esse endosso do governo americano influencia o mercado brasileiro?
Gisselle – O impacto ocorre na confiança de quem toma decisões de longo prazo, como em projetos de data centers ou no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. Saber que a Intel possui o aval do mercado americano e é uma das poucas empresas que desenha, produz e comercializa seus próprios chips traz resiliência à cadeia de suprimentos. Isso é crucial para empresas e governos na América Latina que realizam investimentos altíssimos em tecnologia.
FB – Como a Intel tem participado das discussões sobre data centers e infraestrutura no Brasil?
Gisselle – A companhia participa ativamente como assessora técnica, trazendo melhores práticas e informações para ajudar na tomada de decisões estratégicas para o país. O objetivo é colaborar para que os avanços tecnológicos e de segurança sejam viáveis. Sobre a velocidade dessas discussões, o foco da empresa é garantir que as decisões sejam acertadas e sustentáveis para o propósito real, acompanhando o ritmo acelerado da tecnologia.