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Corpo de Bombeiros divulga balanço de atendimentos e incidentes com águas-vivas chamam a atenção; o crescimento de casos foi de 900%

Quem ama veranear nas praias da região já sabe o kit básico para curtir: protetor solar, roupas adequadas e vinagre. Isso mesmo, o vinagre é o produto indicado em casos de contato com águas-vivas e caravelas. Os incidentes envolvendo esses animais marinhos e banhistas aumentaram em 900%, entre 14 de dezembro de 2024 e 1º de janeiro de 2025, se comparado ao mesmo período da temporada passada.

Os números divulgados nesta sexta-feira (3), pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, apontam que foram 7.183 registros frente aos 798 casos, há um ano.  De acordo com a capitã Tamires Pereira, oficial responsável pela comunicação da corporação nesta temporada, é preciso orientar os banhistas.

Não podemos evitar o contato com esses animais, pois eles estão no próprio ecossistema e somos nós que estamos frequentando o ecossistema deles. Os números são expressivos porque também houve um aumento significativo de banhistas, com isso um registro maior de ocorrências”, disse, em conversa com o JB Litoral.

A capitã também detalhou quais atitudes tomar caso haja o contato com águas-vivas ou caravelas.

Não podemos fazer muito para evitá-los, apenas diminuir a área de contato do corpo, utilizando lycras e sungas um pouco mais compridas, como calções. Caso a pessoa tenha contato com esses animais e sofra uma queimadura, deve sair da água, lavar abundantemente com água salgada e de preferência com vinagre”, afirmou.

Recomendação é não coçar e nem lavar a área com água “doce” e sim jogar vinagre na área que teve contato com águas-vivas ou caravelas. Foto: Divulgação

“O vinagre é um ácido que acaba neutralizando as toxinas desses animais. Coçar aumenta a área de contágio com as toxinas, então não passe a mão quando tiver o contato e fique em observação pelos próximos minutos. Se surgir dificuldade respiratória, dor de cabeça, ânsia de vômito, mal-estar, procure de imediato um posto de saúde”, completou.

O JB Litoral também conversou com Maikon Di Domenico, que é professor de Oceanografia Biológica do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo o docente, a incidência de águas-vivas é comum na região. Já o número expressivo de contatos com humanos é algo que também aconteceu em temporadas como as de 12 anos atrás.

São até três espécies que provocam acidentes aqui no nosso litoral. Nessa época do ano, em geral, são mais duas. A principal delas é a Chrysaora lactea, ou água-viva leite. E nesses momentos de água muito quente, pouco vento, a população dessa espécie prolifera muito, é o ambiente natural dela e ela vai muito próximo à praia. Agora, na virada do ano, também teve bastante caravelas, que não é uma água-viva, embora seja do mesmo filo, é uma outra espécie que não é tão comum em nossa região. Nessa época do ano, a Physalia physalis, ou caravela portuguesa, está mais associada a uma elevação da temperatura da água e um regime de ventos mais intensos. Elas são mais oceânicas, talvez esse regime de ventos as traga para mais para próximo da costa”, explicou Di Domenico.

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Mais rara do que as águas-vivas, as caravelas portuguesas também têm causado incidentes. Esta foi flagrada no balneário Atami, em Pontal do Paraná. Foto: Paula Yoshie S. Werner

Sobre o aumento expressivo de casos de contatos com banhistas, o especialista ressaltou que é algo que já aconteceu.

A gente tem registros em 2012, por exemplo, com alguns dias com até 2.500 casos por dia. Então, embora seja típico, seja um crescimento muito elevado comparado ao ano passado, se você pega uma série temporal de uma década, ela não é tão atípica, pois é uma espécie comum. Então são momentos, são alguns anos que propiciam que a população dessa espécie cresça muito no nosso litoral, que é a região que ela ocorre mesmo, e tendo mais veranistas, elas acabam tendo mais acidentes”, avaliou.

BANDEIRA ROXA

O professor da UFPR ainda destacou uma iniciativa do Corpo de Bombeiros que pode acabar evitando os incidentes: a sinalização de locais com a presença intensa dos animais.

É muito importante os banhistas estarem sempre atento às bandeiras roxas que os bombeiros colocam. A bandeira roxa indica que está tendo acidentes, então a população deve evitar entrar na água nesses locais e procurar outros locais para se banhar”, orientou.

Também merece destacarmos o fato de os bombeiros manterem uma contagem diária de incidentes, isso é fundamental para monitorarmos essa presença dos animais e ajuda a levar o conhecimento à população”, finalizou o professor Maikon.

MAIS DADOS DO RELATÓRIO

Além dos incidentes com animais marinhos, o 1º relatório da temporada trouxe dados como o número de mortes por afogamento, que já são 8, contra os 3 do mesmo período da temporada 2023/2024; 539 resgates, frente aos 633 e o aumento de pulseirinhas de identificação distribuídas para crianças: 6.807 neste ano, quase mil a mais do mesmo intervalo de tempo da temporada passada, quando 5.893 foram entregues.

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