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Curta-metragem gravado em Ribeirão Preto, SP, vence prêmio em festival internacional na Austrália

Produção feita no Theatro Pedro II, com atores com síndrome de Down, foi a mais votada pela internet em evento voltado à inclusão e à valorização de pessoas com deficiência.

 

Uma produção gravada em Ribeirão Preto (SP) ganhou destaque internacional ao vencer uma premiação de cinema na Austrália. O trabalho, que aborda inclusão e dá protagonismo a pessoas com deficiência, foi o mais votado pelo público em uma categoria internacional.

O vencedor do prêmio é o curta-metragem “Tão Eu”, gravado no Theatro Pedro II, com a participação de atores atípicos e típicos.

Pessoas atípicas são aquelas com características neurológicas, genéticas ou de desenvolvimento fora do padrão mais comum; típicos são aquelas sem essas condições. 

A obra acompanha os bastidores e a expectativa de uma encenação de Romeu e Julieta, mostrando os sentimentos dos intérpretes antes de entrarem em cena.

A produção venceu o Prêmio do Público Internacional, definido por votação online, ao superar outros 66 filmes que concorriam na mesma categoria.

A narrativa do curta é construída a partir da vivência real dos atores. A protagonista é Ana Luísa Dutra, que tem Síndrome de Down e interpreta Julieta.

Ana Luísa Dutra interpreta Julieta em curta que venceu prêmio do público em festival internacional — Foto: Curta-metragem 'Tão Eu'
Ana Luísa Dutra interpreta Julieta em curta que venceu prêmio do público em festival internacional — Foto: Curta-metragem ‘Tão Eu’

O ator Kaique Gomes, que é uma pessoa típica, viveu Romeu no curta e afirma que a experiência trouxe aprendizados que foram além da atuação.

“É um trabalho que renova todo o nosso sentimento de artista. Nos aproxima de pessoas com uma emoção tão forte e uma autoestima maravilhosa. É como se eu me tornasse outro artista e outro ser humano também”, disse.

🍿 Produção ribeirão-pretana

O roteiro é assinado por André Cruz, ator, diretor e dramaturgo com mais de 30 anos de carreira no teatro e no audiovisual. Segundo ele, a escolha de Romeu e Julieta foi estratégica para dialogar com o público internacional.

“Como eu venho do teatro, pensei em fazer Romeu e Julieta, que todo mundo conhece. Como era para fora, na língua inglesa, eles conhecem bem a história. A ideia foi mostrar a imagem deles fazendo o trabalho e o áudio do que eles estavam sentindo”, explicou.

A direção do curta é assinada por Alexandre Ocdy e Sheyla Dutra, idealizadora do Projeto FADA – Família, Amigos e Diversidade, iniciativa independente de Ribeirão Preto (SP).

Desde 2005, o FADA oferece acolhimento e apoio gratuito a familiares de pessoas com deficiência. Foi a partir do projeto que o curta foi desenvolvido e inscrito no festival internacional. Segundo Sheyla, todo o processo criativo partiu das vivências dos próprios atores.

“Desde a elaboração, tudo o que é falado no filme saiu do coração e da cabeça deles. As vozes que aparecem ali são deles. Vale muito a pena assistir”, afirmou.

Cena do curta gravado no Theatro Pedro II mostra bastidores da encenação de “Romeu e Julieta”
Cena do curta gravado no Theatro Pedro II mostra bastidores da encenação de “Romeu e Julieta”

 

Ela ainda explica que a obra ajuda a combater o capacitismo e ampliar oportunidades.

“Existe preconceito, existe discriminação, e isso acaba cegando as pessoas para as capacidades desses jovens. O filme trouxe essa possibilidade, para que eles tenham mais espaço e mais oportunidades”, afirmou.

Para o cineasta Matheus Vieira, de Ribeirão Preto, o reconhecimento internacional pode incentivar novos projetos.

“Quando um material desses alcança visibilidade mundial, incentiva outras pessoas a produzirem e outros financiadores a acreditarem nesse tipo de ideia”, disse.

📽️ Sobre o festival Australiano

O Focus on Ability Film Festival (Foco na Habilidade) é um festival internacional promovido pela organização australiana Nova Employment, voltado a obras que valorizam as habilidades de pessoas com deficiência. A edição de 2025 foi realizada no dia 16 de novembro, em Sydney, na Austrália.

O evento contou com sessões de exibição, votação online e avaliação de júri oficial. Ao todo, foram 283 finalistas de 26 países, incluindo produções brasileiras. A premiação total chega a 100 mil dólares australianos.

Atores atípicos e típicos participaram do curta gravado em Ribeirão Preto e premiado na Austrália — Foto: Curta-metragem 'Tão Eu'
Atores atípicos e típicos participaram do curta gravado em Ribeirão Preto e premiado na Austrália — Foto: Curta-metragem ‘Tão Eu’

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