A operadora portuária árabe DP World, a Rumo e a CHS iniciaram no Porto de Santos as obras de um terminal de grãos e fertilizantes, após obterem as licenças ambientais. Fabio Siccherino, CEO da DP World, conta que a estrutura recebeu R$ 2,5 bilhões da Rumo em 2024 e que a própria DP aportou R$ 2,1 bilhões em contêineres.
A unidade será o maior terminal da América Latina a operar vários tipos de carga ao mesmo tempo, com possibilidade de atracação simultânea de oito navios. A capacidade será de 2,1 milhões de TEUs (unidade de um contêiner de 20 pés) e 17,5 milhões de toneladas, sendo 9 milhões de t de grãos, 3,5 milhões de t de adubos e 5 milhões de t de celulose.
Também a partir de Santos, a DP World estreou em maio um corredor exclusivo para escoar à África proteínas animais e commodities agrícolas em contêineres. A carga segue de lá para os terminais da empresa em Angola, Moçambique e África do Sul. “Os exportadores de açúcar são os que mais usufruem da rota, devido à forte demanda da África”, diz.

A DP World, que opera no Porto de Santos, encerrou 2025 com faturamento global de US$ 24,4 bilhões. No Brasil, chegou a R$ 1,53 bilhão Foto: DP World/Divulgação
Estrutura
Para agilizar a movimentação em Santos, a DP World prevê instalar uma “pera ferroviária” – pátio circular que permite descarregar trens de até 4 quilômetros de extensão sem separar os vagões, reduzindo o tempo de operação.
Copo meio cheio
Larissa Wachholz, sócia da Vallya e especialista em China, avalia que a decisão do governo chinês de limitar as importações de carne bovina este ano pode abrir espaço para o Brasil ampliar a venda de produtos de maior valor agregado, como cortes premium e mercados de nicho. Para ela, a tarifa extracota afeta severamente cortes de carne mais básicos, enquanto os mercados premium, menos sensíveis a preço, seguem demandados.
No talo
Para 2026, o Brasil recebeu uma cota de 1,106 milhão de toneladas que podem entrar na China dentro da tarifa regular. O volume excedente da proteína bovina está sujeito à tarifa adicional de 55%. Até 11 de agosto, 90% da cota brasileira já havia sido preenchida, segundo o Ministério do Comércio do país. “Embora não possamos esperar a entrada em massa de carne de menor valor agregado na China este ano, o país segue aberto a itens de alto valor, resilientes à tarifa adicional”, diz Wachholz.
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De olho na rota
A Seara, da JBS, está monitorando rotas de entrega com uso da inteligência artificial no WhatsApp. Criada pela uMov.me, a ferramenta funciona por comando de voz: o motorista envia áudios relatando imprevistos na rota e a IA aciona a retaguarda. Na primeira fase, a tecnologia contemplará 300 motoristas em 20 centros de distribuição, responsáveis por 500 mil entregas/mês. A meta é reduzir em 50% as “reentregas”, poupando 5 mil horas/mês e 500 mil litros de combustível ao ano.
Casa em ordem
A GCB Investimentos estruturou para o Grupo Munaretto uma operação de R$ 35 milhões em Certificado de Recebíveis do Agronegócio, papel de renda fixa que capta dinheiro de investidores para financiar o agro. O grupo cultiva 12 mil hectares de soja e milho no Tocantins. Até R$ 30 milhões serão usados para quitar dívidas; outros R$ 5 milhões reforçarão o caixa da produção. “É uma estrutura que considera tanto os ativos do produtor quanto sua capacidade de geração de caixa”, diz Victor Moura, diretor da GCB.