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Editorial: Desafio para o envelhecimento no Brasil

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira que a expectativa de vida dos brasileiros alcançou 76,6 anos em 2024 — o maior valor já registrado desde o início da série histórica, em 1940. Há 80 anos, a média de vida de quem nascia no pais era de cerca de 45 anos. O salto de mais de 30 anos simboliza conquistas sociais, sanitárias e de saúde pública.

Este avanço demonstra que o país vive um período de crescente longevidade, mas isso só revela parte da equação. De nada adianta viver mais se a velhice for marcada por doenças crônicas, isolamento, precariedade social ou falta de cuidados adequados. Por isso, afirmar que “não basta viver mais — é preciso viver melhor” deixa de ser um ideal e se torna uma urgência.

A conquista do aumento da expectativa de vida reflete fatores como a queda histórica da mortalidade infantil, melhorias no saneamento básico, acesso a vacinas, melhor nutrição, educação e saúde pública mais acessível. Esses avanços devem ser celebrados e ter como base um novo foco: a qualidade de vida em todas as fases da vida, especialmente na maturidade.

Envelhecer com dignidade significa garantir que os anos extras sejam marcados por bem-estar físico, saúde mental, mobilidade, autonomia e participação social. Isso envolve políticas públicas robustas para saúde preventiva, atenção às doenças crônicas, reabilitação, acessibilidade urbana, moradia digna, apoio social e redes comunitárias de convivência. Mas também implica em um olhar cultural e familiar: valorizar os idosos, estimular o convívio entre as gerações e promover envelhecimento ativo.

Além disso, é fundamental que a sociedade reconheça que envelhecer não é sinônimo de inércia ou dependência automática. Muitos nonagenários e pessoas acima de 60 anos mantêm atividade profissional, voluntária ou criativa — contribuindo com sabedoria, experiência e legado.

Para que isso seja possível, precisam de estrutura: transporte público acessível, espaços de convivência, atenção médica regular, estímulo ao movimento e à saúde mental.

A longevidade crescente é apenas o ponto de partida. O verdadeiro desafio, agora, é criar um ambiente onde viver até os 70, 80, 90 anos ou mais signifique vivenciar esses anos com saúde, autonomia, dignidade e propósito. É garantir que, ao longo desse caminho, cada pessoa tenha a chance de envelhecer plenamente — com vida e qualidade de vida.

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