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Editorial: Imprudência que custa vidas

O período de fim de ano, marcado por viagens, reencontros familiares e celebrações, também escancara um problema recorrente e grave nas rodovias: o aumento dos acidentes de trânsito.

Ano após ano, os números se repetem de forma alarmante, revelando que, apesar de campanhas educativas e de leis mais rígidas, muitos motoristas continuam ignorando o básico da responsabilidade ao volante.

Em Santa Catarina, a expectativa de uma das melhores temporadas de verão dos últimos anos já reflete no movimento da BR-101, com a vinda dos turistas. E o cenário fica ainda mais grave quando se observa o ranking nacional dos trechos de rodovias federais com mais acidentes: nosso Estado tem sete entre os 20 listados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Um dos fatores mais preocupantes é a insistência de motoristas em combinar álcool e direção. Em meio às confraternizações, ainda há quem trate essa prática como algo trivial, subestimando seus efeitos e superestimando a própria capacidade de conduzir um veículo.

O resultado é previsível: reflexos comprometidos, decisões equivocadas e vidas colocadas em risco, não apenas as de quem dirige, mas de famílias inteiras que seguem corretamente pelas estradas.

A PRF desempenha um papel essencial na fiscalização e no combate às infrações, especialmente neste período de tráfego intenso. No entanto, enfrenta dificuldades evidentes: efetivo limitado, longos trechos de rodovias a serem monitorados e a complexidade logística de manter operações contínuas.

Por mais que haja esforço e dedicação, é impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo, o que acaba sendo explorado por condutores imprudentes.

Somado a isso, a falta de educação no trânsito segue como um traço preocupante da nossa cultura viária. Excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, desrespeito às leis e pouca empatia com o próximo revelam que muitos ainda veem a rodovia como um espaço de disputa, e não de convivência. Falta consciência de que cada atitude irresponsável pode ter consequências irreversíveis.

Mais do que reforçar a fiscalização, é urgente investir em educação para o trânsito de forma contínua, desde a infância, e promover uma mudança de comportamento coletiva.

No fim das contas, a segurança nas rodovias não depende apenas da presença do Estado, mas da escolha individual de cada motorista. Chegar ao destino com vida deveria ser o principal objetivo de qualquer viagem, especialmente nesta época em que celebrar só faz sentido se todos puderem voltar para casa.

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