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Editorial: Pesca responsável, futuro garantido

A ampliação da cota de pesca da tainha para a safra deste ano, anunciada nesta semana, é uma vitória que merece ser reconhecida, especialmente em Santa Catarina, onde o mar não é apenas paisagem, mas sustento de milhares de famílias.

A nova portaria que regulamenta a captura da espécie representa mais do que um ajuste técnico, mas o reconhecimento da importância social, econômica e cultural da atividade para milhares de famílias catarinenses.

A tainha move comunidades inteiras, mantém viva a tradição secular do arrasto de praia e sustenta pescadores artesanais que dependem diretamente da temporada para garantir renda ao longo do ano. Em muitas localidades do Litoral, a pesca é a principal fonte de sobrevivência.

Reduzir drasticamente cotas, como ocorreu em anos anteriores, significava colocar em risco o equilíbrio financeiro de trabalhadores que já convivem com incertezas climáticas, custos crescentes e burocracia pesada.

O aumento da cota sinaliza que é possível conciliar preservação ambiental com justiça econômica. A gestão dos recursos naturais precisa, evidentemente, respeitar critérios científicos e garantir a sustentabilidade dos estoques.

Mas também deve considerar a realidade de quem vive da pesca. Não se pode tratar a atividade artesanal como vilã quando ela é, historicamente, parte da identidade catarinense e praticada com técnicas de baixo impacto.

Santa Catarina sempre defendeu essa posição. O Estado se mobilizou politicamente e juridicamente para garantir regras mais equilibradas, que não penalizassem desproporcionalmente os pescadores locais. O resultado agora aparece na forma de uma cota ampliada e de regras mais claras, que oferecem previsibilidade e segurança para a temporada.

É importante frisar: ampliar a cota não significa abrir mão da responsabilidade ambiental. Pelo contrário. Com monitoramento adequado e controle efetivo, a pesca pode continuar sendo sustentável e, ao mesmo tempo, economicamente viável. O que não se pode admitir é que decisões distantes da realidade do Litoral determinem, sem diálogo, o futuro de comunidades inteiras.

A nova regulamentação representa um avanço. Não resolve todos os desafios do setor, mas aponta para um caminho mais sensato, aquele que reconhece que preservar o mar também é preservar quem vive dele. Para Santa Catarina, onde a pesca da tainha é tradição, cultura e sustento, essa conquista tem sabor de justiça.

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