Search
Close this search box.

Editorial: Proteção da mulher 24 horas por dia

Ao mesmo tempo em que Santa Catarina registra queda nos índices de criminalidade, a violência contra a mulher segue como uma das chagas sociais mais urgentes relacionadas à segurança pública.

Ainda que tenha registrado avanços pontuais, os números ainda revelam uma realidade inaceitável. Este ano (até ontem), o Estado registrou cinco feminicídios, média de um a cada três dias.

Em 2025, foram 51 mulheres assassinadas pelo simples fato de serem mulheres, além de cerca de 74 mil vítimas de violência doméstica, o equivalente a uma agressão a cada sete minutos. São dados que não podem ser naturalizados nem tratados como estatística fria.

A redução de aproximadamente 2% nos registros de violência no ano passado em comparação com 2024 é um sinal positivo, mas insuficiente diante da dimensão do problema. A estabilidade nos casos de feminicídio mostra que ainda não conseguimos romper o ciclo de agressões que, muitas vezes, começa com palavras, se torna ameaça, avança para a violência física e termina em morte. Cada caso representa uma falha coletiva do Estado e da sociedade em proteger quem deveria estar segura, na maioria das vezes, na própria casa.

Nesse contexto, a implantação da primeira delegacia remota com atendimento especializado 24 horas surge como uma medida necessária e estratégica. Muitas mulheres deixam de denunciar por medo, vergonha, dependência emocional ou dificuldade de acesso às estruturas presenciais, especialmente em cidades menores.

O atendimento remoto, imediato e humanizado, com delegadas e psicólogas, pode ser decisivo para interromper a escalada da violência no momento em que a vítima mais precisa de apoio.

A delegacia estadual remota amplia o alcance da rede de proteção e reforça a ideia de que o Estado precisa estar disponível quando a mulher decide romper o silêncio.

A denúncia não pode esperar o horário comercial nem depender da distância geográfica. Violência não tem hora marcada, e o atendimento público, especialmente para casos como estes, também não deveria ter.

A promessa de criação de 26 novas delegacias de proteção aos vulneráveis ao longo deste ano também é um passo importante, desde que acompanhada de estrutura adequada, capacitação contínua e integração com o Judiciário e a rede de assistência social. A solução de 100% dos casos de feminicídio registrados em 2025 demonstra eficiência investigativa, mas a prioridade precisa ser evitar que essas mortes aconteçam.

Combater a violência contra a mulher requer prevenção, acolhimento, educação e políticas públicas permanentes. Neste sentido, delegacias remotas representam um avanço, mas só terão efeito real se fizerem parte de uma estratégia ampla, contínua e comprometida com a preservação da vida. Porque nenhuma mulher pode ficar sozinha diante da violência.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *