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Editorial: Santa Catarina em alerta contra a dengue

A Secretaria de Estado da Saúde voltou a alertar para a necessidade de se intensificar as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue e chikungunya. Os dias quentes e úmidos do verão contribuem para uma proliferação maior do mosquito.

Os casos aumentaram em Santa Catarina: segundo os dados do Informe Epidemiológico, do dia 4 a 19 deste mês, foram registradas 1.946 notificações de dengue, das quais 1.215 são consideradas casos prováveis.

Na comparação com o mesmo período de 2025, em que foram registrados 701 casos prováveis, observa-se um aumento de 73% no número de casos prováveis.

Esse aumento acende um sinal de alerta que não pode ser ignorado, e expõe fragilidades que vão além do sistema de saúde: revela falhas no cuidado cotidiano, na prevenção e, sobretudo, na responsabilidade coletiva. A dengue não é apenas um problema sazonal ou restrito a determinadas regiões; é uma ameaça real à saúde pública de todo o Estado.

Os impactos da doença são conhecidos, mas continuam sendo subestimados. A dengue provoca febre alta, dores intensas no corpo e nas articulações, mal-estar generalizado e, em casos mais graves, pode evoluir para complicações sérias e até levar à morte. Além do sofrimento dos pacientes, há sobrecarga nos serviços de saúde, aumento de afastamentos do trabalho e da escola e prejuízos diretos à economia e à qualidade de vida da população.

Apesar dos esforços do Poder Público, com ações de vigilância, mutirões e campanhas educativas, o combate ao mosquito não será eficaz sem a participação ativa da sociedade.

O Aedes aegypti se reproduz, principalmente, dentro das casas, em recipientes simples com água parada – pratinhos de plantas, caixas-d’água mal vedadas, calhas entupidas, pneus abandonados e pequenos objetos esquecidos nos quintais. Ou seja, o principal campo de batalha está no dia a dia de cada cidadão.

É fundamental que a população adote medidas simples, mas contínuas: eliminar qualquer foco de água parada, manter caixas-d’água bem fechadas, limpar calhas regularmente, descartar corretamente o lixo e permitir o acesso de agentes de saúde às residências. Essas ações, muitas vezes vistas como triviais, são decisivas para interromper o ciclo de reprodução do mosquito.

O enfrentamento da dengue exige consciência, vigilância permanente e compromisso coletivo. Não se trata apenas de cobrar ações do Estado, mas de reconhecer que cada descuido individual pode gerar consequências graves para toda a comunidade. Combater a dengue é um dever compartilhado, e a prevenção começa dentro de casa.

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