Quinta maior economia de Santa Catarina, São José registrou forte crescimento tanto no número de moradores quanto no número de empresas e indústrias e na geração de empregos nos últimos anos. Na mesma proporção, destacam-se problemas que incomodam quem vive e paga impostos na cidade, e que atrapalham quem está somente de passagem.
A questão do abandono da Beira-Mar de São José, com mato e quadras esportivas com alambrados arrebentados e redes rasgadas, além da falta de manutenção no Teatro Hermelinda Izabel Merize, no Centro Multiuso, e agora a questão dos pontos de ônibus, com vidros quebrados, pichados e com acúmulo de lixo, como mostrou as reportagens deste jornal ND publicadas nos últimos dias. Essas são algumas das questões que demonstram a falta de cuidado com a cidade.
Não é preciso morar em São José para perceber o descaso: na SC-281, que liga o município ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, cavalos circulam livremente pelas laterais da rodovia, especialmente à noite.
Um deles foi atropelado e morreu há cerca de um mês. Motoristas correm perigo quando a fiscalização é precária onde há movimento de carros e caminhões em todos os horários do dia.
Ruas dos bairros que abrigam as indústrias têm tanto mato que moradores do entorno confundem com lixão: colchões, sofás, geladeiras e fogões e móveis sem condições de uso são deixados ao relento. Há ainda a falta das tampas de bueiros e buracos no asfalto – estes sempre causados pela chuva devido à péssima qualidade do material utilizado.
Apesar de ter uma infraestrutura considerada boa nas escolas, neste ano o município não entregou uniformes escolares – material que não se compra em nenhuma loja.
A questão da saúde também acumula reclamações: é preciso chegar cedo nas unidades básicas para tentar uma consulta – que nunca tem vaga. Com tanta tecnologia disponível, não há uma forma coerente de agendamento de consultas, confirmações e retornos. Não há um número de telefone ou WhatsApp que funcione para conversar com servidores da saúde.
Cuidar de uma cidade envolve diferentes frentes, e todas elas precisam de atenção. Não dá para crescer economicamente e em número de moradores e não proporcionar o mínimo de qualidade de vida a quem escolheu São José, principalmente as regiões mais distantes do Centro, para morar. Que a gestão municipal trabalhe para que essa realidade seja passageira.