Florianópolis ostenta o título de ter a passagem de ônibus coletivo mais cara entre as capitais brasileiras. São R$ 6,90 no pagamento em dinheiro e R$ 5,75 no cartão. Um valor pesado para o usuário, que ainda arca com outra conta, menos visível, mas igualmente salgada: em 2024, a prefeitura desembolsou R$ 118,5 milhões para subsidiar o serviço.
Nos últimos nove anos, esse valor chega a R$ 687 milhões repassados às empresas de ônibus para manter o sistema. É mais do que Porto Alegre gastou no mesmo período, embora a capital gaúcha tenha mais que o dobro da população, e supera a soma dos subsídios pagos pelas nove maiores cidades de Santa Catarina.
O contraste entre o que se gasta e o que se entrega é preocupante. Apenas 17% da frota de Florianópolis possui ar-condicionado, índice muito inferior ao de cidades como Itajaí, onde todos os veículos têm climatização, ou Porto Alegre, com 90%.
No verão, quando o calor dentro dos coletivos se torna sufocante, a consequência é previsível: mais carros nas ruas, mais congestionamentos e um sistema de transporte que não consegue motivar o morador a deixar o carro na garagem.
Os repasses ao setor cresceram, em alguns anos, muito acima da inflação, chegando a picos de 85% acima do índice oficial. Entre 2021 e 2022, o salto foi de R$ 75 milhões para R$ 146 milhões, aumento de 94,5%, sem que isso fosse acompanhado de um salto equivalente na qualidade ou na abrangência do serviço. Qual a justificativa para que o transporte urbano de passageiros custe tanto aos cofres públicos?
Apesar de a prefeitura afirmar que os subsídios mantêm a tarifa “acessível” e custeiam gratuidades e descontos previstos por lei, o usuário paga duas vezes: na passagem e nos impostos, sem ter em troca um transporte eficiente, confortável e integrado.
O problema é mais profundo. A cidade não tem um projeto sólido de mobilidade. O Plamus, o tão anunciado Plano de Mobilidade Urbana, segue no papel.
O BRT, promessa repetida, engatinha. O transporte aquaviário, que poderia aproveitar a geografia privilegiada da Capital, não sai do papel. Enquanto isso, por faltam de sinalização adequada, fiscalização no trânsito e novas alternativas viárias, a mobilidade compromete a qualidade de vida dos florianopolitanos.
Florianópolis precisa rever o seu modelo de cidade, que passa por uma gestão não apenas do transporte coletivo, mas de ações para aliviar os constantes congestionamentos, a falta de espaço para estacionamento e a ausência de semáforos inteligentes.
Estes são apenas alguns exemplos que deveriam merecer atenção dos gestores públicos. Efetivamente, as questões de mobilidade são uma real ameaça ao futuro da Capital.