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Editorial: Um novo caminho no tratamento da obesidade

A proposta do governo de Santa Catarina de viabilizar a oferta de medicamentos para emagrecimento na rede pública recoloca, com a urgência que o tema exige, o debate sobre o tratamento da obesidade. Longe de ser uma questão meramente estética, trata-se de uma doença crônica, multifatorial e profundamente desigual – tanto em seus impactos quanto no acesso às alternativas terapêuticas.

O projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Sérgio Motta, que busca uma solução juridicamente viável, acerta ao reconhecer que a obesidade mórbida impõe limitações reais à vida cotidiana.

Os relatos de pacientes não deixam margem para relativizações: há dor, há exclusão, há perda de autonomia e de oportunidades. Ignorar esse cenário é perpetuar um ciclo de adoecimento que, inevitavelmente, recai sobre o próprio sistema público de saúde.

A incorporação de medicamentos como a tirzepatida, ainda que de forma inicial e restrita, representa um avanço importante. Evidências médicas apontam que esses tratamentos não apenas promovem perda de peso significativa, como também atuam no controle de comorbidades graves, como diabetes e hipertensão. Em perspectiva, isso significa menos internações, menos cirurgias de alta complexidade e menor pressão sobre o sistema hospitalar, um investimento que pode se pagar ao longo do tempo.

No entanto, é preciso cautela. O alto custo dessas medicações exige critérios rigorosos de indicação, acompanhamento clínico permanente e transparência na gestão dos recursos públicos.

A proposta de beneficiar um público prioritário, vinculado à linha de cuidado da cirurgia bariátrica, é sensata, assim como a ideia de estruturar o programa em bases progressivas e avaliativas. Políticas públicas não podem nascer de impulsos, mas de planejamento consistente.

Outro ponto crucial é evitar que a iniciativa se transforme em solução isolada. O enfrentamento da obesidade demanda uma abordagem integrada, que envolva promoção de hábitos saudáveis, acesso a alimentação adequada, incentivo à atividade física e combate ao estigma social. Medicamentos são ferramenta, não resposta única.

Ao dar esse passo, Santa Catarina sinaliza disposição para inovar em saúde pública e enfrentar uma das epidemias silenciosas do nosso tempo. O desafio agora será transformar a promessa em política sustentável, equilibrando responsabilidade fiscal, rigor técnico e, sobretudo, compromisso com a dignidade de quem há anos espera por uma chance concreta de recomeçar.

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