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Eleição envolve dois temas que estão fora da campanha: política externa e comércio

Discreto no primeiro turno, o presidente americano Donald Trump foi até agora um dos grandes vencedores das eleições brasileiras. Se Flávio Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto, a influência trumpista se estenderá por todas as principais potências da América do Sul. O grupo alinhado à Casa Branca já inclui, entre outros países, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai. Derrubado Maduro, a Venezuela foi rapidamente ocupada e por forças dos Estados Unidos e subordinada a interesses do capital americano.

O Escudo das Américas, criado em março deste ano, é uma coalizão regional destinada oficialmente a combater o crime organizado e, de modo especial, o narcoterrorismo. Mas sua evidente vinculação ao trumpismo o converte em algo bem diferente, em termos políticos, de uma associação internacional voltada para a segurança pública. Também estabelecido oficialmente para promover a cooperação policial, o Compromisso de Santiago foi desde o início entendido como um acordo de alinhamento aos Estados Unidos.

Um governo de nova orientação sobre o comércio exterior poderá influenciar a diplomacia em seus aspectos políticos e econômicos

Maior economia do hemisfério sul, o Brasil tem-se mantido fora desses movimentos de subordinação ao poder americano. O governo brasileiro tem procurado combinar o comércio com os Estados Unidos e, mais amplamente, a cooperação entre as duas potências, com uma diplomacia ampla e voltada para parceiros de todo o mundo, dentro e fora do capitalismo. Mesmo no período militar, quando houve uma forte aproximação ideológica entre Brasília e Washington, a liderança brasileira acabou priorizando a diversidade no relacionamento internacional.

O resultado final das eleições poderá afetar esse quadro. A diplomacia brasileira manteve, por décadas, a bandeira da diversidade, sem subordinação a qualquer potência ou grupo de potências. Isso se refletiu positivamente na balança comercial e no fluxo de capitais, mas parte do mercado parece, de vez em quando, esquecer ou menosprezar esses dados. Um governo de nova orientação poderá influenciar a diplomacia em seus aspectos políticos e econômicos, e isso dependerá, quase certamente, de um jogo complicado.

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