Flávio Bolsonaro diz que vai votar pelo fim da escala 6×1
Senador fez declaração após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela primeira vez em três meses. Crédito: Guilherme Caetano
BRASÍLIA – Empresários do setor produtivo defendem ajustes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, que volta a ser discutida e deve ser votada ainda nesta quarta-feira, 14, em dois turnos no Senado. Entidades e representantes setoriais pedem a senadores aliados a apresentação de emendas com modulação na proposta, apurou o Estadão/Broadcast.
Parte do empresariado aposta na estratégia de “porta a porta” nos gabinetes dos senadores. Outra ala vê possibilidade de ajustes na medida apenas após a votação. Em comum, entre os diferentes segmentos do setor produtivo, há a percepção de que a PEC será aprovada ainda hoje em virtude da pressão popular e do cenário eleitoral.

O Senado Federal discute e vota nesta quarta-feira, 14, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 Foto: Wilton Junior/Estadão
Entre os principais pleitos dos empresários estão a adoção de um período maior de transição para o fim da escala 6×1 e a possibilidade de implementação de regimes específicos para setores considerados sensíveis, de acordo com interlocutores.
Alguns setores industriais com mão de obra intensiva estimam aumento de custos dada a necessidade de maior contratação de trabalhadores e, consequente, impacto sobre os resultados financeiros. Há ainda, lembra um representante do setor industrial, ociosidade de vagas em alguns segmentos com vagas abertas e dificuldade de preenchimento.
Indústrias do setor alimentício, sobretudo as que processam perecíveis, apontam para queda da competitividade, inflação de custos e, consequente, aumento dos preços a serem repassados aos consumidores para manutenção da produção nos níveis atuais.
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Outro ponto defendido é a transição para adaptação dos segmentos, apontam integrantes do setor produtivo. Um dos interlocutores lembra que as empresas possuem orçamentos e investimentos já previstos a serem cumpridos neste ano.
Entidades do empresariado afirmam que a tramitação foi “apressada” e lamentam “pouco tempo hábil” para mensuração dos impactos a fim não afetar a produção.
Na última semana, confederações empresariais da indústria, agricultura, transportes, serviços, seguradoras e cooperativas afirmaram em manifesto conjunto que a PEC vai gerar “efeitos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais”.
PEC alternativa
Parlamentares, entretanto, avaliam que não há espaço político para apresentação de emendas ou modulação da PEC neste momento. Eventuais ajustes na proposta, defendem estes senadores, devem ser feitos apenas com o fim efetivo da escala e conhecidos os efeitos sobre os setores produtivos, segundo interlocutores. A lideranças empresariais, senadores sinalizam que o foco em um segundo momento será mitigar os impactos aos setores.
Neste âmbito, discute-se a apreciação da PEC apresentada pelo líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), que propõe a criação de um regime de trabalho flexível baseado em remuneração por horas trabalhadas.
Algumas lideranças empresariais também criticaram, em grupos reservados de mensagens, a mudança de posição do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). As ressalvas foram no sentido de que o presidenciável “não sustenta” suas posições.
Ontem, Flávio Bolsonaro, que até então classificava o fim da 6×1 como oportunismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que votará a favor da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1. O senador afirmou que a decisão foi tomada para atender “à maioria da população”.
A proposta, bandeira eleitoral de Lula, terá sua quinta sessão de discussão nesta quarta-feira e pode ser votada em primeiro turno. Para ser aprovada, a PEC exige 49 votos em dois turnos de votação. Governistas tentam aprovar um calendário especial para concluir a votação nesta quarta-feira. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que há votos necessários para acelerar a votação.