A eleição de Flávio Bolsonaro deixará o caso Master em um dilema. Como aprofundar as investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o mundo político se o próprio presidente da República não poderá ser denunciado e eventualmente condenado por supostos crimes cometidos antes do início do seu mandato? Flávio foi flagrado em uma conversa com Vorcaro pedindo R$ 130 milhões para o financiamento de um filme sobre o seu pai, mas permanecem as dúvidas sobre os termos dessa “doação” e como o dinheiro realmente foi gasto.
Para tornar o cenário mais complexo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, também mantinham relações com o banqueiro. Embora não sejam oficialmente investigados – ao contrário de Flávio -, há indícios de que também podem ter sido beneficiados pelo esquema. Pelo menos até fevereiro, quando haverá eleições para definir o comando das Casas, o País ficará na situação de ter o presidente da República e os presidentes da Câmara e do Senado sob suspeitas, mas apenas Flávio ficará blindado.

Flávio foi flagrado em uma conversa com Vorcaro pedindo R$ 130 milhões para o financiamento de um filme sobre o seu pai Foto: Lula Marques/Agência Brasil e Márcio Gustavo Vasconcelos
No Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques indicou que poderá soltar o ex-presidente Jair Bolsonaro depois do segundo turno das eleições. Fica incerta a situação do ministro, que tem muito a explicar sobre os negócios de seu filho no mercado de precatórios e de como isso pode ter beneficiado o Master. Não faz sentido que apenas Alexandre de Moraes entre na mira dos senadores bolsonaristas, sem que Nunes Marques e outros ministros da corte, como Dias Toffoli, também passem pelo mesmo escrutínio.
Outro cenário é de que novas denúncias contra Flávio apareçam, e o presidente já inicie seu mandato perdendo força e tendo de gastar capital político para se blindar de novas investigações. O político tem um longo histórico de suspeitas, que passam por rachadinhas e um empréstimo mal explicado do BRB para a compra de uma mansão em Brasília, além de amizades e viagens em um jatinho de um dos investigados no esquema de desvio de aposentados do INSS. O interesse pelo acordão, portanto, é muito grande sob a vitória de Flávio.
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Lula, por seu turno, tenta se descolar do caso, já que não há indícios de que tenha sido beneficiado, ainda que políticos do seu entorno – como Rui Costa, Jaques Wagner, Ricardo Lewandowski e Alexandre Silveira – tenham tido proximidade com Vorcaro. Wagner chegou a ser alvo de um pedido de busca e apreensão por suspeitas de ter recebido mesada do principal sócio do banqueiro. Mas o Master foi liquidado sob a gestão petista.
Flávio Bolsonaro já tem os dois pés no Planalto, e o cheiro de pizza no caso Master fica cada vez mais forte na capital federal.