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Este Resort de Luxo nas Maldivas Está Instalando Recifes de Argilas 3D no Fundo do Mar

No fundo do mar, a tecnologia virou natureza. Recifes de argila impressos em 3D estão sendo instalados no Atol de Malé Sul, nas Maldivas, em torno do Anantara Dhigu Maldives Resort, como estratégia para fortalecer ecossistemas que o aquecimento global ameaça destruir.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o resort e a rrreefs, empresa especializada na restauração de ecossistemas marinhos, e reforça um compromisso com a conservação dos oceanos. A ecóloga marinha Dra. Julia Spaet também auxilia no projeto, em colaboração com o Dr. Gerrit Nanninga, pesquisador do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Ludwig Maximilian de Munique.

Os recifes de argila auxiliam a recuperação marítima ao criar condições ideais para a regeneração dos corais e o aumento da biodiversidade, por meio de uma tecnologia baseada em módulos interligados que reproduzem as estruturas naturais dos recifes de coral. A argila apresenta uma microestrutura única, com pequenas cavidades entre cada camada, que oferecem espaços protegidos onde larvas de coral podem se fixar e crescer, permanecendo protegidas de predadores.

Mauro Bischoff, idealizador do projeto, explica que a precisão na criação dos corais é essencial para que o projeto funcione: “Alcançar o nível adequado de porosidade na argila é igualmente importante, pois estimula a formação de biofilmes benéficos que favorecem o assentamento dos corais, ao mesmo tempo em que ajudam a manter o equilíbrio saudável do ecossistema ao redor”.

Estão sendo instaladas 13 estruturas de argila em formato de flor chamadas Theyra Maa, que significa “13 Flores” em dhivehi, idioma falado nas Maldivas, simbolizandorenovação, crescimento e o florescimento da vida marinha no ecossistema do resort. “As formas inspiradas em flores criam um movimento suave da água ao redor das estruturas, ajudando as larvas de coral a se fixarem com mais eficiência”, afirma Bischoff.

Espera-se que, com o passar do tempo, a instalação ofereça um ambiente propício para o desenvolvimento de fragmentos de coral, peixes recifais e outras espécies marinhas, contribuindo para a restauração do ecossistema subaquático das Maldivas.

Painéis de argila na regeneração de recifes ao redor do mundo

Resultado do aquecimento global, as temperaturas dos oceanos já ultrapassam os 21°C, o que, dentre muitas consequências, causa a morte dos recifes de corais. O ritmo de destruição que eles sofrem é, inclusive, duas vezes maior do que o desmatamento de florestas tropicais.

O problema é que a recuperação dos corais, quando feita de forma natural, pode levar décadas. Eles são formados ao longo de milhares de anos pelo acúmulo dos esqueletos de pequenos animais e organismos marinhos, servindo como abrigo para milhares de espécies de peixes e crustáceos

A estratégia de utilizar painéis de argila para ajudar a recuperar corais não é novidade. Em 2020, pesquisadores da Universidade de Hong Kong e do Instituto de Ciências Marinhas de Swire começaram a usar o material impresso em 3D para ajudar corais a sobreviverem e se reproduzirem no país. Essa região da Ásia é conhecida por ser uma das maiores em biodiversidade, com espécies de corais gravemente ameaçadas pela poluição e pelo rápido desenvolvimento urbano.

Durante as pesquisas, a argila se mostrou um material ideal para a situação, por não sofrer influência e nem causar impactos no ambiente marítimo. Feitas de forma ecológica, elas podem ser moldadas em tamanhos, formatos, cores e texturas diferentes, se adaptando às características e necessidades das regiões em que são instaladas. Ao contrário do concreto, a argila é ligeiramente ácida, como o coral, e tem uma composição química semelhante aos recifes reais.

Os recifes de corais de argila estão instalados ao redor de todo o mundo, incluindo na ilha de San Andrés, na Colômbia.

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