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Estupidez coletiva marca escala 6×1

O custo social e econômico do fim da escala 6×1 não pode ser calculado com precisão, pois envolve centenas de milhares, senão milhões de decisões de empresas e de empregados afetados pela legislação aprovada no Senado. Os benefícios políticos imediatos podem ser colhidos pelos promotores da proposta, seja o incumbente, seja o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O candidato da oposição ficou com tanto medo de sair mal na foto que votou a favor da proposta, numa demonstração de que o populismo gritou mais alto.

O populismo, na verdade, berrou que os trabalhadores aprovam a ideia, em sua maioria. Estes trabalhadores também não sabem o que a história significa, pois é preciso fazer contas e imaginar qual será a reação daqueles que têm de pagar a conta.

Dirigentes petistas que louvaram a (brilhante!) ideia deliraram, argumentando que as empresas não vão acabar por conta do que foi aprovado e que o direito de trabalhar menos e receber os mesmos vencimentos é mais do que justo, é na verdade uma espécie de direito da classe laboral.

Após a aprovação da PEC no Senado, a ilusão de que o trabalhador vai trabalhar menos e ganhar a mesma coisa durará pouco Foto: Ton Molina/Agência Senado

Os argumentos são tão velhos que estão no fim da vida, mas continuam a ser apresentados sem qualquer pudor – e, sobretudo, sem qualquer conhecimento de causa e capacidade de análise.

Que Alcolumbre tenha tido um papel decisivo na aprovação da medida é perfeitamente óbvio. Ele tem de lutar qual leão para que o incumbente seja reeleito, pois esta é a única possibilidade disponível para que seja reconduzido à presidência do Senado.

Os 75 senadores que votaram a favor da proposta também pareceram imbuídos de que agiram bem – ou seja, bem ao estilo de “Maria vai com as outras”. Um único voto demonstrou lucidez: o do senador Hamilton Mourão, que nunca fez questão de se indispor com seus pares ao votar no que acredita.

O incumbente, nos cálculos do Estadão, já determinou gastos de mais de R$ 350 bilhões de dinheiro público – isso mesmo, público, ou seja, de você cidadão brasileiro que paga impostos – na tentativa de se tornar o mais velho presidente do País e o mais aplicado em permanecer no Palácio do Planalto por mais um mandato.

Distribuindo tantas benesses, incluindo um Pix de R$ 5 mil aos MEIs, às custas dos contribuintes, faz o que pode para se reeleger, driblando o que poderia ser considerado pouco escrupuloso. Afinal, se o seu eleitor alisa seu cabelo, vamos em frente.

Mas quanto custará o fim da escala 6×1?

As empresas ao fazerem suas contas provavelmente constatarão que seus custos terão um expressivo acréscimo. Se o corte de custos for combatido com a substituição de mão de obra mais cara e qualificada por mão de obra mais barata, azar dos qualificados. Quantos perderão seus empregos por conta disso? Ninguém consegue calcular.

A ilusão de que o trabalhador vai trabalhar menos e ganhar a mesma coisa durará pouco. Talvez essa hipótese só se aplique àqueles que são tão qualificados que não podem ser dispensados sob pena de por em risco a sobrevivência da empresa onde trabalham. Não é o caso da maioria dos empregados. Para que a ideia fosse bem-sucedida, teria de haver um salto radical de produtividade, algo impossível dada a baixa qualidade da educação e da qualificação para os empregos.

Talvez o chefe da Nação tenha de contratar uma cozinheira a mais, para que possa comer em casa aos sábados. Imagine-se o que poderá ocorrer com hospitais, serviços públicos em geral, comércio onde os empregados ganham comissão por venda…

Se a loucura de acabar com a escala 6×1 não for tratada por médicos competentes, é possível que o custo final da medida, após alguns anos, não seja tão distante do custo da tentativa de reeleição do incumbente.

Nessa hipótese, o Brasil seguirá um roteiro esperado – e bem conhecido. Crescerá menos do que a média dos países em desenvolvimento e será menos atrativo do que outros emergentes para atrair investimentos. É a repetição de um filme antigo, mas que é reprisado diariamente nos cinemas e na TV.

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