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EXCLUSIVO: Com braço quebrado e outras lesões, homem denuncia PMs por suposto excesso

Era final de tarde do dia 4 de janeiro quando o empreiteiro parnanguara Cleverson Leandro Farias, 46 anos, trafegava pela PR-412, em Pontal do Paraná e foi abordado por policiais militares. Cleverson contou ao JB Litoral que estava na cidade onde foi passar as festas de fim de ano com a família, no Balneário Primavera e permaneceu mais uns dias para lazer. Naquele sábado, por volta das 17h, ele saía de Pontal em direção a Paranaguá, onde buscaria sua mãe.

cleverson denuncia PM
Eu sei dos meus direitos e deveres, não tinha necessidade desse exagero deles”, diz Cleverson. (Foto: JB Litoral)

Na rodovia, que estava com muito congestionamento, tem uma parte que faz um alargamento de pista à esquerda para quem vai entrar para os balneários. Um carro vermelho tentou cortar a fila por essa pista, mas eu não dei a vez. Ele ficou colado atrás de mim, tentou mais uma ou duas vezes me passar, mas eu não deixei. Quando passamos por um posto de combustível, percebi que tinham viaturas abastecendo e segui normal meu caminho”, relatou.

Cerca de 800 metros adiante, quase na rotatória de acesso à rodovia PR-407, o empreiteiro, que mora em Curitiba há 11 anos, foi abordado por dois policiais em motocicletas.

Eu encostei o carro, eles me perguntaram se eu estava armado, respondi que não. Desembarquei e ficamos na parte de trás do carro, onde repassei todos os dados pedidos. De repente, encostou o carro vermelho que estava tentando me passar, o motorista e a mulher dele desceram e ele se apresentou ao sargento que me abordou, dando uma ‘carteirada’, abriu a carteira e mostrou o documento. Depois disso, se deram tapinhas nas costas e o sargento começou a testar todo o meu carro”, afirmou Cleverson.

Segundo o empreiteiro, foi após essa breve conversa que a abordagem saiu do que ele considera que seria o correto.

Tentou ligar o pisca, testar as luzes de freio e disse que não estava funcionando. Eu expliquei que o carro só funcionava tudo quando estava ligado. Mostrei como ligava e ele fez todos os testes. Depois, questionei se o policial também faria todos esses procedimentos no carro do cidadão que tinha me denunciado. Foi quando o PM falou que meu carro estava sendo apreendido e eu preso. Questionei e ele ficou nervoso.

BOMBEIRO DA RESERVA REMUNERADA

O motorista do carro vermelho é um bombeiro militar, subtenente, de 59 anos, da reserva remunerada.

Fiquei sabendo que esse cidadão que me denunciou é um militar. Mas ele estava errado, querendo furar fila. Ele tentou me passar, eu coloquei o braço para fora e gesticulei que ele voltasse para a fila. Então, ele me denunciou, disse que eu que estava fazendo manobras perigosas. Depois que os policiais disseram que meu carro seria apreendido porque tinha multas, eu liguei para o meu irmão, que é policial militar para ele me orientar”, seguiu o relato.

A PRISÃO

Cleverson conta que, como o irmão o orientou a pegar os pertences de dentro do carro, antes de o veículo ser apreendido, entrou no automóvel para pegar os pertences e fechar os vidros.

Meu carro fecha a porta sozinho, mas eu segurei com o pé para não fechar e liguei para poder fechar os vidros, falei isso aos policiais, mas, mesmo assim, um deles torceu meu braço para trás, o outro entrou pela porta do passageiro e arrancou o celular da minha mão. Me arrancaram do carro, me jogaram no chão, ajoelharam na minha cabeça, ombro e braços. Depois disso, me colocaram no camburão algemado, pararam na delegacia, mas não cheguei nem a descer, seguiram comigo para o posto de saúde de Santa Terezinha”, disse. [confira as imagens do momento da abordagem no final da matéria]

O empreiteiro ainda afirma que, desde o momento em que retiraram as algemas, na Unidade de Saúde, já não conseguia mexer o braço e sentia muita dor.

Limparam meus machucados, tiraram o sangue e quando eu disse que estava com muita dor no braço, me levaram para fazer o Raio-X. Eu percebi que a moça que realizou o exame viu alguma coisa, ela olhou para o cabo, e depois todos se retiraram. Voltaram dizendo que eram só lesões superficiais e me levaram para a delegacia”, pontuou.

Na delegacia, Cleverson foi autuado em flagrante e levado para a cadeia pública, em Guaratuba, por volta da meia-noite.

Nunca na vida eu havia sido preso, nem água me deram. As irregularidades no meu carro eram administrativas, eles quiseram fazer bafômetro, mas me recusei. Cheguei em Guaratuba, já rasparam minha cabeça. De lá, eu só saí no final do dia 5, não cheguei nem a passar pela audiência de custódia. Os presos mesmos já me disseram que eu nem passaria pela audiência, pois estava muito machucado.”  

BRAÇO QUEBRADO E DENÚNCIA

Após sair da cadeia, Cleverson foi para a casa da mãe, em Paranaguá. De lá, procurou atendimento médico na UPA da cidade. Após horas de espera, durante o atendimento médico, já na madrugada do dia 6, Cleverson foi levado de ambulância ao Hospital Regional do Litoral. Da UPA, ele saiu com um atestado de afastamento do trabalho por 7 dias, com a CID S59 – traumatismos no antebraço.