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Família de Ozzy Osbourne Vai “Ressuscitar” o Cantor Como Holograma de IA

O Príncipe das Trevas pode ter partido, mas um holograma movido a inteligência artificial terá como objetivo manter viva para os fãs a voz, a personalidade e os trejeitos marcantes de Ozzy Osbourne.

A viúva de Osbourne, Sharon Osbourne, e o filho, Jack Osbourne, revelaram os planos para o clone digital esta semana na feira de negócios Licensing Expo, em Las Vegas.

“Você pode perguntar qualquer coisa ao Ozzy, e ele vai te responder com a própria voz — e as respostas serão o que o Ozzy teria dito”, disse Sharon Osbourne, de acordo com uma reportagem sobre o painel publicada pela revista License Global. “Vamos levar isso para o mundo todo. As pessoas poderão falar com ele, e ele responderá.”

Na feira anual, artistas, celebridades, estúdios de entretenimento e fabricantes fecham acordos de licenciamento de propriedade intelectual. Os Osbournes anunciaram o holograma do eterno líder e vocalista do Black Sabbath durante um debate no palco principal do evento sobre o futuro da marca Osbourne.

“Ele existirá digitalmente como ele mesmo enquanto existirem computadores”, disse Jack Osbourne. “A tecnologia avançou tanto que virou quase um ‘arrastar e soltar’. Você poderia filmar a base para um comercial… ditar o comando por texto (prompt) exatamente com o que você quer que o Ozzy Digital faça naquele comercial e simplesmente inseri-lo ali. Ficou simples assim.”

Ozzy Osbourne, às vezes chamado de o padrinho do heavy metal, faleceu no ano passado aos 76 anos, após uma longa carreira na qual se reinventou constantemente. O interesse por ele não mostra sinais de desaceleração. A Sony Pictures está trabalhando em uma cinebiografia com lançamento previsto para os cinemas em 2028, e Working Class Hero, uma exposição em homenagem à sua vida no Birmingham Museum and Art Gallery, segue em cartaz até o final de setembro.

Agora, já no final do próximo trimestre, surgirá um sósia digital que busca estender ainda mais esse legado, interagindo com fãs nos EUA e no Reino Unido em múltiplos idiomas e respondendo a eles individualmente em tempo real, inclusive simulando contato visual.

Este holograma consegue “sentir o clima do ambiente”

“Ele não é apenas um chatbot, ele consegue realmente sentir o clima do ambiente”, disse em entrevista David Nussbaum, fundador da Proto Hologram, uma das empresas parceiras da família Osbourne no projeto. “Ele pode chamar a atenção de um fã com uma tatuagem do Black Sabbath no braço do outro lado da sala, pode tratar um grupo de executivos de terno de um jeito um pouco diferente de como trataria uma galera de bangers raiz, ou pode perceber que o público está disperso e fazer algo para acalmar e focar a multidão.”

Outras celebridades que foram transformadas em hologramas pela Proto Hologram incluem a apresentadora do Big Brother americano Julie Chen Moonves, Elton John, Olivia Rodrigo, William Shatner e Kenan Thompson. Em uma exposição de artes visuais da cantora e compositora Jewel em 2024, no Crystal Bridges Art Museum em Bentonville, Arkansas, seu clone holográfico recepcionava os visitantes.

Os hologramas exigem a filmagem do indivíduo usando uma câmera 4K e uma fonte de luz. A pessoa conversa de forma espontânea e se move naturalmente para que o software proprietário da empresa aprenda seus movimentos, tom de voz e cadência.

Recriar versões realistas de celebridades que já faleceram, no entanto, exige claramente uma abordagem diferente.

Para dar vida ao Ozzy Digital, a Hyperreal — um estúdio de conteúdo especializado em avatares fotorrealistas e entretenimento interativo baseado em IA — usará material de origem autenticado, ou “DNA digital”, como eles chamam. Foi o que a empresa fez para ressuscitar o lendário artista da Marvel, Stan Lee, na Comic-Con de Los Angeles no ano passado.

“Nada é extraído por varredura da internet (scraping), nada é aproximado por estimativa e nada é gerado a partir de dados que não foram fornecidos específica e voluntariamente”, disse em entrevista Remington Scott, CEO da Hyperreal. “O resultado funciona em tempo real. Isso não é um vídeo pré-gravado rodando em loop. É uma performance viva que consegue ouvir, responder e interagir naturalmente.”

Como os fãs estão reagindo?

Esta não será a primeira vez desde a morte de Ozzy Osbourne que ele será ressuscitado com inteligência artificial. No ano passado, Rod Stewart homenageou o roqueiro com um vídeo gerado por IA que o mostrava tirando selfies no céu com celebridades falecidas, incluindo Kurt Cobain, Michael Jackson, Bob Marley e Freddie Mercury. O quadro gerou polêmica na internet, com alguns espectadores criticando a ação como “bizarra e de mau gosto”.

O anúncio do futuro avatar de Ozzy foi recebido tanto com entusiasmo quanto com ceticismo. “Deixem o homem descansar”, escreveu Joshua Hayes em uma thread no X sobre a notícia. Essa foi uma das respostas negativas mais moderadas, já que muitas delas focam no respeito aos mortos.

A questão mais ampla de como o público reagirá, no fim das contas, às representações em IA de artistas falecidos será respondida ao longo do tempo pela qualidade e integridade do que for construído, defende Scott, da Hyperreal. Ele afirmou que essa é uma discussão saudável para a indústria.

“Também acreditamos que os fãs são mais espertos e exigentes do que se costuma imaginar”, acrescentou. “Quando eles vivenciam algo que captura genuinamente a conexão que sentiam com um artista, eles reconhecem isso. Jack Osbourne chamou a precisão desta tecnologia de ‘assustadora’. Essa reação não é um desconforto com a artificialidade, é o reconhecimento de algo real.”

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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