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Fiat Uno Grazie Mille 0 Km � raro e vale mais que Polo novo; veja pre�o

O Fiat Uno é um dos carros mais emblemáticos da montadora italiana e, assim como outros modelos, o pequeno hatch inovou em alguns aspectos e ditou moda para a concorrência. Uma delas foi a volta do conceito de carro popular, um segmento que foi criado no início dos anos 1990.

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Obra do designer Giorgetto Giugiaro, o Fiat Uno surgiu na Europa em 1983 e, em 1984, passou a ser feito na fábrica de Betim (MG), durando até 2013 com basicamente a mesma carroceria. Era a edição de despedida Grazie Mille, disponível com tiragem limitada a 2 mil carros devidamente numerados e vendida apenas nas cores prata Bari e na exclusiva pintura verde Saquarema, como o modelo que ilustra esta matéria.

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Cada vez mais ‘cortejado’ por colecionadores, seus preços a cada ano crescem vertiginosamente, como é o caso de um exemplar (0584/2000), vendido no final do ano passado (2025) pela Salvajoli Clássicos e Especiais.

Segundo o dono da loja, Evandro Salvajoli, exemplares zero-quilômetro como este Mille Grazie têm se tornado cada vez mais raros. Sem revelar o preço, ele conta que carros sem uso e que tiveram grande popularidade no passado, como o Fusca e a Kombi, têm mais procura pelos colecionadores e investidores.

“São carros exclusivos, geralmente com acabamento diferenciado e de pouca tiragem, o que só aumenta a procura por quem quer guardar um objeto único e cobiçado”, conta Evandro.

Além da cor verde que marcou a série de despedida, o Fiat Uno especial traz faróis de máscara negra, rodas de liga leve aro 13” com pintura especial, ponteira de escapamento esportiva, adesivos ‘Grazie Mille’, frisos laterais e pintura da caixa de roda.

Por dentro, há bancos com tecido exclusivo e bordado ‘Grazie Mille’, rádio Connect com CD/MP3, viva voz Bluetooth e entrada USB e subwoofer, cluster com grafia diferenciada de instrumentos, pedais esportivos, plaqueta com numeração do carro no painel, entre outros pormenores.

Fiat Grazie Mille vem com plaqueta com o número da série no painel, CD Player, comtagiros no cluster, entre outros itens
Imagem: Reprodução/ Salvajoli Clássicos e Especiais

Fora isso, o hatch da Fiat ainda vinha de série com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, desembaçador e limpador do vidro traseiro, além dos retrovisores externos com comando interno.

Na motorização, o confiável motor Fire Economy 1.0 Flex era o mesmo dos modelos Mille Economy e Mille Way Economy. Desenvolvido pela FPT Powertrain Technologies, a potência era de 65 cavalos quando abastecido com gasolina e 66 cv com álcool (etanol). Segundo dados do Inmetro, são 8,8 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol e 12,4 km/l na cidade e 14,6 km/l na estrada com gasolina.

Este resultado se deve a outros fatores, como a inclusão da quinta marcha mais longa, pneus de baixa resistência à rolagem e um econômetro, um instrumento eletrônico sinalizador de consumo de combustível no painel.

Por meio dele, o motorista era auxiliado na maneira de conduzir o veículo, tentando obter a condição mais econômica possível quanto ao consumo de combustível, levando em conta as condições de tráfego e percurso.

Fiat Grazie Mille
Fiat Grazie Mille tem vários itens exclusivos, como as rodas, a saída de escape oval e os adesivos na carroceria
Imagem: Reprodução/Salvajoli Clássicos Especiais

“São exemplares de despedida da primeira geração do Uno e focados para o público seleto de entusiastas e colecionadores, e os modelos sem uso, na ‘caixa’, estão cada vez mais escassos no mercado”, explica Reginaldo Ricardo Gonçalves, o Reginaldo de Campinas, que já vendeu algumas unidades do Uno colecionável.

Um exemplar como o que foi vendido em 2025 pela Salvajoli Clássicos e Especiais pode ultrapassar facilmente a casa dos R$ 130 mil, valor suficiente para comprar um Volkswagen Polo e ainda sobrar uns trocados.

 PRIMEIRO CARRO ‘POPULAR’ DO BRASIL

Fiat Uno Mille
Fiat Uno Mille foi o pioneiro entre os modelos 1.0 depois de 1990 e fez bastante sucesso no Brasil
Imagem: Divulgação

O Fiat Uno Mille é, sem dúvida, um dos carros de maior sucesso da marca de origem italiana. A ideia deu tão certo que o hatch se manteve com o desenho – obra de Giorgetto Giugiaro – inalterado por quase 30 anos sem grandes alterações estéticas.

O Uno Mille surgiu no final de 1990 e trouxe o retorno do conceito do carro popular com motor 1.0. Vale frisar que, nos anos 1960, o público consumia versões mais despojadas do Willys Dauphine (Teimoso), DKW Vemag (Pracinha), Volkswagen Fusca (Pé-de-boi), entre outros

Com a queda na alíquota do IPI de 40% para 20% para os motores de 800 a 1000 cm³, a Fiat precisou agir rápido e usar seus truques para sair na frente da concorrência. Então, aproveitaria o máximo de ferramental necessário do seu então atual carro-chefe de vendas, o Uno.
Para fazer jus ao preço mais acessível, a Fiat economizou cada centavo na nova versão despojada.

O motor, por exemplo, era o Fiasa de 1.048,8 cm³ emprestado do Fiat 147, cuja cilindrada era reduzida para 994,4 cm³. Com isso, a potência do Mille ficou restrita a apenas 48,5 cv, ante os 55 cv do seu “doador”.

O corte nos gastos para a produção do novo veículo popular também veio da ausência do retrovisor do lado direito, bancos mais simples e sem encostos de cabeça, painel de instrumentos mais rudimentar, entre outras contenções. Ainda que a simplicidade imperasse, o sonho do carro 0 km do brasileiro virou realidade.

NOVAS VERSÕES

Fiat Mille Young
Fiat Mille Young também fez parte da linha Mille fabricado com o público jovem como alvo
Imagem: Divulgação

O sucesso fez com que a Fiat criasse outras variações atraentes, tais como a série especial Brio, com carburador de corpo duplo que rendeu ao propulsor 1.0 a potência de 54 cv, ou 5,5 cv a mais comparado ao antigo com um carburador. A novidade fazia parte da linha de 1991.

Além dessa, no ano seguinte, o Mille ganhou a versão Electronic, com ignição digital substituindo o sistema arcaico do platinado, mas em 1994, a Fiat, mais uma vez, inovou com a luxuosa ELX. Considerado o primeiro nacional 1.0 a oferecer ar-condicionado, o novo popular ficou mais moderno com a nova frente, adotada na linha 1991 do Uno.

Além disso, era oferecido com a opção das quatro portas, que até então era exclusivo das versões mais equipadas do hatch. Vidros e travas elétricas, desembaçador e limpador do vidro traseiro e relógio digital ajudavam a compor o pacote generoso do popular da Fiat.

Com as vendas indo de vento em popa, na linha 1996, foi apresentada a versão EP, responsável por inaugurar o sistema de injeção eletrônica monoponto de combustível – em substituição ao carburador da ELX que era descontinuada. Com o advento deste recurso de alimentação, o Mille passou a render 58 cv, tendo uma melhora significativa no seu desempenho. Por este motivo, foi tratado pela imprensa especializada como o mais potente entre os 1.0 fabricados no Brasil.

Depois da chegada do Palio, as versões mais caras do Uno foram exterminadas, mantendo apenas o Mille em continuidade como modelo de entrada. Assim, até 2013, ele foi mantido com alguns aperfeiçoamentos. Entre eles, podemos lembrar da versão com motor Fire – substituta da antiga Fiasa – que trouxe a injeção multiponto de 55 cv.

Outro avanço para a trajetória do Mille foi a tecnologia flexível, podendo ser abastecida com etanol (66 cv) ou gasolina (65 cv), lançada em 2005. Não menos importante, a Fire Economy de 2008 também foi um marco para a carreira do Mille no Brasil.

Tornou-se um dos carros mais econômicos do mercado nacional. Com quinta marcha mais longa, pneus de baixa resistência à rolagem e econômetro, essa versão faz 12,4 km/l na cidade e 14,6 km/l na estrada com gasolina, uma referência até para os dias atuais.

Sua despedida ocorreu em 2013, com a edição limitada Grazie Mille, de só 2 mil unidades, mas o nome Uno ainda seria estendido à segunda geração até encerrar a sua produção, em 2021. Se for somar desde o seu lançamento, em 1984, foram mais de 4,3 milhões de unidades vendidas.

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