Operação mira esquema bilionário em fintechs ligadas ao crime organizado
Receita Federal aponta R$ 26 bilhões em movimentações suspeitas em fraude no setor de combustíveis. Crédito: Divulgação/ Receita Federal
A QI Tech, empresa que fornece serviços bancários, sofreu uma busca e apreensão na última quarta-feira, 4, no âmbito das Operações Enxágue e Catéter, promovidas pelo Ministério Público do Paraná e Receita Federal.
“O papel da QI Tech foi fornecer informações para auxiliar nas investigações das autoridades competentes. A companhia reforça que não está sendo investigada e reitera seu compromisso com a transparência e a legalidade, mantendo-se aberta ao diálogo e à prestação de esclarecimentos sempre que necessário”, diz a QI Tech. A startup se tornou o 26º “unicórnio brasileiro” há dois anos, ou seja, chegou ao valor de mercado de US$ 1 bilhão.
O esquema apurado pela Receita Federal e MP do Paraná envolvia empresas de fachada, registradas em nomes de laranjas, que emitiam notas fiscais falsas para gerar créditos tributários indevidos a usinas de biodiesel.

Pedro Mac Dowell, Marcelo Bentivoglio e Marcelo Buosi fundaram a QI Tech em 2018 Foto: Mayara Araujo/QI Tech/Divulgação
Em linhas gerais, quando uma nota fiscal é emitida, quem a emite precisa pagar um imposto, enquanto o suposto comprador do produto, registrado na nota, pode ganhar créditos fiscais com isso. Em um esquema de notas fiscais falsas, o comprador ganha o crédito, mas a operação de compra do produto nunca existiu. A “noteira”, empresa que emite a nota fiscal, é de fachada e nunca paga esse imposto.
As notas fiscais da Operação Enxágue e Catéter simulavam a compra e venda de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, e geravam créditos indevidos para usinas de biodiesel, que utilizam esses insumos como matéria-prima. Depois, títulos ligados a essas notas fiscais eram vendidos para os fundos de investimento ligados à Singulare, hoje administrados pela QI Tech, além de securitizadoras. O mercado financeiro dava a aparência de legalidade a títulos sem lastro.
No total, as operações bloquearam R$ 271 milhões em ativos ligados ao grupo criminoso. Destes, R$ 63,8 milhões em cotas de 10 Fidcs. Outros R$ 10,9 milhões estavam relacionados a quatro companhias securitizadoras.