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Fortinet vê avanço de ataques cibernéticos no Brasil, alerta para efeito da IA e anuncia inovações

SÃO PAULO — A inteligência artificial está mudando a velocidade e a sofisticação dos ataques cibernéticos e, ao mesmo tempo, criando novas possibilidades para a defesa. Essa transformação esteve no centro da 9ª edição do Fortinet Cybersecurity Summit Brasil, realizado em São Paulo, que reuniu cerca de 4 mil participantes em cinco palcos, incluindo uma sessão plenária, com 60 palestrantes e mais de 50 patrocinadores. Diante desse cenário, a empresa apresentou uma abordagem global que orienta suas inovações em duas frentes: a “IA para a segurança”, com o uso de inteligência artificial para aprimorar produtos e serviços de cibersegurança; e a “segurança para a IA”, voltada à proteção do uso da inteligência artificial por empresas e governos.

Da ameaça à defesa

O encontro aconteceu em um momento de transformação do cenário de ameaças no País. Segundo levantamento do FortiGuard Labs, laboratório de inteligência de ameaças da Fortinet, foram identificados 249,3 bilhões de tentativas de ataques e atividades maliciosas contra o Brasil no primeiro semestre de 2026. O número reúne ações detectadas pela empresa e não significa que todos os ataques tenham sido bem-sucedidos. O dado mais relevante, porém, está na mudança do comportamento dos criminosos, que passaram a investir mais nas etapas de reconhecimento e preparação dos ataques.

Um dos sinais dessa mudança está nas chamadas varreduras ativas, utilizadas para identificar vulnerabilidades e selecionar alvos. Foram 9 bilhões de tentativas detectadas no período, volume 44% superior ao registrado durante todo o ano de 2025. A estratégia permite aos criminosos mapear melhor os ambientes antes de tentar um comprometimento.

Para Frederico Tostes, country manager da Fortinet Brasil, a mudança acompanha uma transformação na própria organização do cibercrime. “Nas previsões de ameaças cibernéticas para 2026, alertamos o mercado e os nossos clientes de que os cibercriminosos estão funcionando como empresas semiautônomas. Incentivar o combate ao cibercrime nunca foi tão importante. Por isso, a cibersegurança é discussão estratégica para conselhos de administração”, afirmou.

Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil, destaca que a inteligência artificial aumenta a capacidade de ação dos criminosos e exige uma defesa capaz de acompanhar essa velocidade. “A segurança cibernética das empresas e de governos precisa evoluir suas operações para uma defesa industrializada também, e adotar ferramentas de segurança com IA que respondam e protejam na mesma velocidade que as ameaças modernas”, afirmou.

Mais do que acompanhar o crescimento dos ataques, a Fortinet defende uma mudança na forma de estruturar a defesa. Segundo Bonatti, as empresas precisam reduzir a fragmentação de suas ferramentas e adotar uma plataforma unificada de operações de segurança, que tenham sistemas operacionais também unificados, com inteligência artificial capaz de reduzir a complexidade e acelerar a investigação e a resposta aos incidentes, mantendo o desempenho dos negócios.

Uma nova arquitetura

Essa visão também está por trás do SASE Firewall, conceito que a Fortinet começa a apresentar ao mercado e que surge da convergência das tecnologias de Next Generation Firewall (NGFW) e SASE (arquitetura de nuvem unificada que combina serviços de rede e de segurança). Para a empresa esse novo mercado atende a realidade do mundo híbrido de hoje, que traz demandas crescentes em relação a soberania, desempenho e infraestrutura de IA.

Para Tostes, trata-se de uma evolução na forma como o mercado pensa a infraestrutura. “O SASE Firewall é um trabalho que você vai fazer da borda da rede para a ponta da rede. É exatamente a ideia da integração de todas as soluções”, explicou.

A proposta reúne diferentes camadas, como FortiGate, SASE, SD-WAN e inteligência artificial, em uma arquitetura mais integrada. A Fortinet trabalha para aproximar tecnologias que tradicionalmente são tratadas de maneira isolada e transformá-las em arquiteturas convergentes de Next Generation Firewall e SASE, que são cada vez mais importantes para as organizações que preparam suas redes para demandas impulsionadas e aceleradas pela IA.

Bonatti compara os agentes de IA a novos usuários dentro das organizações, que podem receber credenciais, acessar sistemas e interagir com dados sem necessariamente passar pelos mesmos processos de treinamento e controle aplicados aos funcionários. “Se você perguntar para as empresas se dariam o mesmo nível de acesso que a IA tem hoje para um funcionário, talvez a resposta seja não.”

Entre os riscos está a chamada Shadow AI, quando funcionários ou áreas de negócio adotam ferramentas de inteligência artificial sem necessariamente envolver as equipes de tecnologia e segurança. A preocupação envolve não apenas o que entra nos sistemas, mas também o que a IA produz e para onde essas informações podem seguir.

Para a Fortinet, a estratégia passa por duas frentes. De um lado, utilizar inteligência artificial para aumentar a capacidade de defesa. De outro, criar mecanismos para proteger a própria IA.

Preparação para a era quântica

Outra frente apresentada pela Fortinet durante o Fortinet Cybersecurity Summit é a preparação para a chamada era quântica. A evolução da computação quântica poderá reduzir drasticamente o tempo necessário para quebrar determinados sistemas de criptografia, criando um desafio no tratamento de dados que hoje são considerados protegidos.

A companhia trabalha no tema desde 2021 e antecipa a migração para novas formas de proteção. “É preparar exatamente uma migração suave para um problema que vai acontecer lá na frente. A proteção de dados sensíveis precisa de uma estratégia resistente à computação quântica hoje mesmo. Na Fortinet, trabalhamos para tornar essa transição gerenciável, uma migração gradual, evitando reformulações de alto risco”, afirmou Tostes. Para o executivo, antecipar esse movimento faz parte de uma estratégia que não deve olhar apenas para as ameaças imediatas. “Eu nunca olho para um ano, mas sim para cinco, sete, oito anos.”

Investimento no Brasil

A estratégia tecnológica vem acompanhada de uma expansão da própria Fortinet no País. Segundo Tostes, a companhia já ultrapassou 300 profissionais no Brasil, cresce entre 15% e 20% ao ano em número de funcionários e está presente em 24 Estados, a maior abrangência territorial para uma fornecedora de cibersegurança.

A empresa também aposta na descentralização. A escolha de Uberlândia para uma de suas estruturas, o Centro de Suporte Especializado, levou em conta a disponibilidade de profissionais qualificados na região. “Segurança é confiança”, afirmou Tostes. “Vamos manter a nossa estratégia de ter funcionários em todas as regiões e Estados brasileiros, não adianta eu ter uma pessoa aqui em São Paulo para atender uma pessoa em Fortaleza. Não vai ter esse vínculo de confiança e proximidade.”

A estratégia de distribuir investimentos pelo território brasileiro acompanha a visão da empresa de que a segurança depende também da proximidade com clientes e parceiros. Para Tostes, o objetivo é criar vínculos locais e ampliar a capacidade de atendimento e desenvolvimento de profissionais fora dos grandes centros.

Infraestrutura digital

A transformação discutida no Fortinet Cybersecurity Summit Brasil também foi abordada pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, que participou de um painel com Tostes. Para o ministro, a expansão da infraestrutura digital brasileira precisa caminhar junto com a proteção dos dados e dos serviços.

“Não existe mais inclusão social sem a inclusão digital”, afirmou Siqueira Filho, ao destacar iniciativas relacionadas à expansão do 5G, das redes de fibra óptica e de satélites, além do potencial brasileiro para atrair investimentos em data centers e inteligência artificial.

Na avaliação do ministro, a segurança precisa fazer parte dos projetos desde o início. “Cibersegurança faz parte agora do planejamento dos projetos de infraestrutura digital.”

A mensagem está de acordo com a visão apresentada pela Fortinet ao longo do evento. Quanto mais conectada estiver a economia, maior será a necessidade de que segurança e inovação sejam pensadas juntas.

Mais do que apresentar produtos, Tostes vê o Summit do Brasil como um espaço de articulação do próprio setor. “Não é simplesmente vender um produto ou uma solução.” Para ele, reunir profissionais, empresas e clientes permite compartilhar experiências, aproximar diferentes setores e antecipar desafios de um mercado que muda em velocidade cada vez maior.

O debate realizado em São Paulo reforçou uma mudança de perspectiva. À medida que a inteligência artificial acelera a transformação digital e também sofistica as ameaças, a cibersegurança passa a fazer parte da própria estratégia de inovação. Para empresas e governos, o desafio será fazer infraestrutura, inteligência artificial e proteção evoluírem juntas, na mesma velocidade.

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