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Fracasso em oferta de ações de empresa de IA australiana eleva incerteza com Anthropic

A OpenAI, dona do ChatGPT, deixou de lado os planos de abrir capital em 2026 Foto: Doomu/Adobe Stock – 05/02/2023

O fracasso da abertura de capital (IPO, em inglês) da australiana Firmus, que faz data centers para inteligência artificial, e que tem entre os investidores a gigante Nvidia, mostra que nem todo papel de IA tem demanda certa. Ainda mais: sinaliza um desafio adicional para a Anthropic, que no dia 14 faz uma reunião com investidores para falar de seus planos e de sua oferta, que pode até ter participação de bancos brasileiros.

A Firmus cancelou na noite da quinta-feira, 8, já sexta-feira na Austrália, o que poderia ser o segundo maior IPO da história do mercado australiano, mas que não teve demanda suficiente. A empresa tentou baixar o preço da ação duas vezes, mas mesmo assim não conseguiu compradores para fechar a oferta, que poderia somar US$ 5 bilhões.

A empresa desenvolve infraestrutura de computação para inteligência artificial e aluga chips e capacidade computacional a clientes como OpenAI e Meta. A companhia tem dois data centers em operação e outros cinco em desenvolvimento. Inicialmente, a Firmus buscava uma avaliação de US$ 44 bilhões no IPO, um salto do que era em abril, quando uma rodada privada avaliou a empresa em US$ 5,5 bilhões. Em 2025, a companhia foi avaliada em US$ 2 bilhões.

Mercado está mais criterioso

Para os analistas da Freya Research, o fracasso do IPO reflete um mercado que “não está mais disposto a aceitar todas as promessas das empresas de IA”. “Os investidores estão exigindo resultados operacionais mais sólidos e rentabilidade real”, comentaram nesta sexta-feira, 9, ressaltando que a Firmus ainda tinha operação modesta. Não houve demanda nem de investidores institucionais asiáticos nem de investidores dos Estados Unidos e Europa buscando exposição ao boom de IA na Ásia, ressalta a Freya.

Os problemas com a Firmus ocorreram em uma semana de estresse nos mercados internacionais, por causa da alta dos juros de títulos soberanos de vários países. Desta vez, o centro das atenções foi a França, que registrou as maiores taxas desde o início dos anos 2000 em meio a crescentes preocupações com a situação fiscal do país. O megainvestidor de Wall Street, Ray Dalio, alertou que a alta dos juros na economia mundial pode ser um fator que vai fazer a “bolha clássica” de IA estourar. O bilionário ressaltou, durante evento em Cingapura, que o setor tem se endividado muito com o lançamento de títulos de dívida para financiar os grandes projetos de investimento.

A Anthropic, criadora do modelo de IA Claude, já adiou o IPO para meados de novembro e os relatos na imprensa nesta sexta-feira são de que pode ser adiado de novo. “Acho que a meta de IPO de US$ 2 trilhões da Anthropic é muito provável que falhe”, escreveram os analistas da Freya. A oferta de ações, segundo a Bloomberg, seria lançada na semana de 9 de novembro. A empresa já fez um pedido confidencial aos reguladores americanos, em uma oferta coordenada por Morgan Stanley (líder), Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Citigroup. Mais bancos devem ser adicionados, e a expectativa é que algum brasileiro participe, como distribuidor para a América Latina, assim como o BTG Pactual atuou no IPO da SpaceX.

OpenAI deixou IPO de lado em 2026

Já a OpenAI, dona do ChatGPT, deixou de lado os planos de abrir capital em 2026. A expectativa é que o movimento ocorra no ano que vem, mas no último dia 8 investidores tiveram um alerta: documentos financeiros indicariam uma receita anualizada próxima de US$ 50 bilhões no fim de setembro, abaixo da estimativa de US$ 70 bilhões que circulava na imprensa. Além de gerar desconfiança quanto ao crescimento da empresa, a notícia pressionou as ações ligadas à IA, como da Nvidia, Broadcom, Microsoft e Oracle.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 09/10/2026, às 14:30

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