Se você já ficou diante da bomba de combustível pensando se valia a pena pagar um pouco mais por gasolina premium, saiba que essa dúvida é mais comum do que parece e a resposta não é tão simples quanto escolher entre “comum” e “aditivada”. A verdade é que o efeito desse combustível varia bastante conforme o tipo de motor e até o uso que você faz do carro.
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Para começar, vale desmistificar uma coisa, no dia a dia dos carros populares com motor flex, o ganho de desempenho com gasolina premium é quase imperceptível.
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Esses motores são calibrados para funcionar bem com a gasolina brasileira, que já chega ao motorista com cerca de 93 RON e uma boa dose de etanol misturado. Nesses casos, não espere um carro mais rápido ao pisar no acelerador. Mas, ainda assim, há benefícios escondidos nessa história.
Onde a premium realmente faz diferença
Imagem: Divulgação
É nos modelos importados a gasolina, sobretudo os de maior taxa de compressão ou motores turbo, que o combustível de alta octanagem mostra seu valor. Ela pode chegar a 102 RON, o que ajuda a evitar a famosa batida de pino e garante uma queima mais eficiente.
Como explica Hiromori Mori, consultor técnico da Niterra/NGK, esse tipo de motor depende da octanagem elevada para entregar o que foi projetado, desempenho com suavidade e sem risco de danos internos.
E mesmo nos carros flex, por que muitos especialistas recomendam?
A resposta está na pureza e na qualidade da queima. Combustíveis premium acumulam menos resíduos, preservam componentes e reduzem a formação de depósitos de carbono. Pode não virar mais potência, mas ajuda e muito no longo prazo.
O impacto nos sensores e na eletrônica do motor

Imagem: Divulgação
Outro ponto que costuma passar despercebido é o efeito da gasolina premium na leitura da mistura ar/combustível. Por ter menos etanol anidro (E25, contra E27–E30 da comum) e ser menos suscetível a adulterações, ela permite que o módulo eletrônico trabalhe com mais precisão.
Isso significa que a sonda lambda permanece limpa por mais tempo, permitindo uma leitura mais precisa da mistura ar/combustível.
Como consequência, o motor tende a responder de maneira mais consistente nas retomadas, além de apresentar uma combustão levemente mais estável, algo que costuma ficar ainda mais evidente em trajetos rodoviários, onde o funcionamento contínuo do motor ressalta essas diferenças.
Já quando o assunto é combustível ruim, a história muda. Excesso de etanol, solventes ou impurezas podem contaminar a sonda lambda, prejudicar bicos injetores e bagunçar toda a leitura da mistura.
Resultando em falhas, consumo maior, emissões elevadas e, em casos mais sérios, danos ao catalisador.
Durabilidade: onde o premium se destaca mesmo em carros simples
Mesmo que o carro seja flex, o combustível premium oferece vantagens de longa duração, especialmente para quem:
• usa o carro esporadicamente,
• deixa o veículo parado por semanas,
• ou quer evitar a oxidação e envelhecimento rápido do combustível.
A estabilidade química maior ajuda a preservar o sistema, evita formação de goma e facilita a partida depois de longos períodos de inatividade.
Em contrapartida, combustível ruim é receita certa para velas e válvulas carbonizadas, bicos injetores com risco de entupimento, perda de desempenho gradual e necessidade de manutenção mais frequente.
O melhor uso da gasolina premium para quem tem carro flex

Imagem: Agência Brasil
Se tem um lugar onde a recomendação é quase unânime, é no tanquinho de partida a frio dos flex mais antigos. Como o volume é pequeno, o custo adicional é mínimo e a durabilidade é incomparável. O combustível premium não evapora com facilidade, não cria depósitos e ajuda a evitar aquele sufoco na partida em manhãs frias.
Quando o estrago já está feito
Se o motor já apresenta falhas, luz de injeção constante ou necessidade de trocar componentes como velas, cabos, bobinas, sonda lambda ou sensores, marcas como NGK e NTK oferecem reposição com tecnologia de equipamento original. São peças desenvolvidas para restaurar o desempenho e garantir que o sistema de ignição e controle do motor funcione como deveria.