Ele descreve a Faixa de Gaza como uma “megaprisão”. E justifica o uso do termo limpeza étnica para se referir ao que acontece na região
O massacre em Gaza e a história do conflito Israel-Palestina foram temas de uma das mesas mais concorridas da Flip, festa literária de Parati. A presença do historiador Israelense Ilan Pappe, que é considerado traidor em seu país, teve tensão nos bastidores e exigiu detectores de metal na entrada do auditório. Ainda em Parati, ele recebeu a Band para uma entrevista exclusiva ao repórter Fernando Mattar.
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Autor de mais de 20 livros, Ilan Pappe está no Brasil para lançar “Brevíssima história do conflito Israel-Palestina” e “A maior prisão do mundo”, título que resume sua visão do cenário atual em Gaza. Crítico de Israel, o historiador é referência internacional no debate sobre o conflito no Oriente Médio. Sua pesquisa se baseia em análise de documentos do próprio Estado de Israel. Vive radicado no Reino Unido e sofre pressões por onde passa.
Em Paraty não foi diferente. A organização da Flip confirma que sofreu pressões para que a palestra não acontecesse, ou que se colocasse alguém ligado à comunidade judaica para fazer a mediação. Pappe diz que está acostumado com esse tipo de situação e que a situação se repete no mundo todo, com exceção do Chile.
Ilan Pappe não tem permissão para trabalhar como acadêmico em Israel, onde lecionou na Universidade de Haifa, entre 1986 e 2006. Hoje é professor da Universidade de Exeter, na Inglaterra, onde dirige o Centro Europeu de Estudos Palestinos.
Em entrevista exclusiva à Band, Pappe discute sua visão sobre o massacre em Gaza, os paralelos históricos com 1948 e a controvérsia em torno de seu trabalho.
Ele descreve a Faixa de Gaza como uma “megaprisão”. E justifica o uso do termo limpeza étnica para se referir ao que acontece na região:
“Se não é uma limpeza étnica, então é o quê? É uma viagem voluntária de palestinos que vivem em suas aldeias por centenas de anos sem nenhuma razão aparente? Isso é ridículo. Eu acho que é totalmente irrefutável que a limpeza étnica seja a maneira correta de encarar a questão. As pessoas, pelo menos no início, resistiram a isso. Agora todo mundo admite, e as pessoas também estão usando o termo para explicar o que Israel está fazendo na Faixa de Gaza e Cisjordânia.”
