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Impulsionada pelo Minha Casa, Tenda caminha para entrar no Ibovespa quase 20 anos após estrear na B3

A Tenda teve lucro líquido de R$ 161,3 milhões no 2º trimestre, um salto de 109% em relação a igual período de 2025 Foto: Werther Santana/Estadão – 15/10/2024

A primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa para o próximo quadrimestre traz uma empresa novata no índice, ainda que seja uma antiga conhecida do mercado doméstico. A construtora e incorporadora Tenda cumpriu os princípios de negociabilidade e caminha para entrar no principal índice da B3 quase 20 anos após fazer sua estreia na Bolsa, em outubro de 2007.

A nova carteira entra em vigor em 8 de setembro e é condicionada aos volumes de negociação até o final de julho. Outras duas prévias serão divulgadas até lá, em 17 e 31 de agosto. Para serem incluídas no índice, são elegíveis as ações que, nos três períodos de vigência das carteiras anteriores, figurarem entre os 85% mais negociados da Bolsa, em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade (IN). Além disso, o papel precisa ter presença em pelo menos 95% dos pregões nesses períodos e não valer menos de R$ 1.

A provável estreia no Ibovespa da Tenda não chega a ser uma surpresa para o mercado. Desde o fim de junho, o Bank of America (BofA) projetava a entrada da construtora no indicador acionário, dada a melhora do seu Índice de Negociabilidade. No ano até aqui, a ação teve média de 11,5 mil negócios. Em 2025, como base de comparação, foi de 8,5 mil negócios.

Esse aumento do número de negócios vem na esteira de um acompanhamento mais meticuloso do mercado sobre o desempenho operacional da companhia, considerado sólido.

A prévia do segundo trimestre da construtora indica um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,680 bilhão, aumento de 54,4% em relação a igual período de 2025 e de 18,8% sobre os três primeiros meses de 2026. Nas vendas líquidas, o segmento Tenda encerrou o período em R$ 1,318 bilhão, alta anual de 25,4%, com velocidade sobre a oferta líquida (VSO Líquida) de 23,9%.

Programa

Os números são resultado de uma estratégia voltada ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O programa tem sustentado a demanda no segmento popular e ganhou tração com ajustes recentes, como a elevação do teto de valor dos imóveis e a ampliação da faixa de renda elegível.

É neste contexto que a Tenda acumula um ganho superior a 50% na Bolsa nos últimos 12 meses, de longe o maior entre as construtoras ligadas ao MCMV. Ela é a Top Pick no segmento de construção voltada à baixa renda do BTG Pactual, que tem recomendação de compra do papel e preço-alvo de R$ 44, uma valorização potencial de 45% ante o fechamento de 31 de julho.

“Também avaliamos que a companhia está mais bem preparada para enfrentar um cenário de custos de construção mais elevados, beneficiando-se de ganhos de eficiência em projetos mais antigos e de espaço para reajustes de preços nos novos lançamentos”, dizem os estrategistas do BTG.

Contudo, nos últimos 30 dias, o papel passou por uma realização de lucros de cerca de 15%, o que chegou a gerar dúvidas sobre a continuidade de seu rali. Mas o Itaú BBA vê neste movimento um ponto de entrada atrativo para as ações, com uma oportunidade tática de compra. O banco também tem a Tenda como a preferência do setor.

Para o analista Igor Caixeta, a empresa vem apresentando evolução operacional consistente, com expansão de margens e aumento da rentabilidade. Ele aponta ainda um potencial catalisador adicional: os últimos dados de inflação vieram abaixo do esperado, reacendendo a perspectiva de cortes de juros no Brasil.

Para o Itaú BBA, esse cenário tende a favorecer o setor imobiliário e, nesse contexto, a Tenda se destaca pela combinação de crescimento e elevada rentabilidade, negociando a múltiplos atrativos, com o preço sobre lucro (P/L) ajustado de 5,7 vezes para 2026 e 3,9 vezes para 2027.

Balanço

A Tenda divulgou seu balando do segundo trimestre de 2026 na noite desta terça-feira, 4. A empresa teve lucro líquido consolidado de R$ 161,3 milhões, um salto de 109% em relação a igual período de 2025.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado e ajustado somou R$ 275,2 milhões no trimestre, avanço de 64,9% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada foi de 37,3%, aumento de 5,3 pontos porcentuais.

A receita líquida consolidada totalizou o recorde de R$ 1,29 bilhão, expansão de 30%, em função do aumento do número de apartamentos vendidos e também do crescimento do preço médio por unidade.

Após obter resultados acima do esperado até aqui e se deparar com um alívio no quadro inflacionário para os próximos meses, a Tenda decidiu subir o sarrafo para o ano. Com isso, a companhia revisou para cima suas metas de 2026.

A projeção para o lucro líquido consolidado (excluindo o contrato de derivativo de ações) em 2026 foi ampliada da faixa de R$ 520 milhões a R$ 600 milhões para R$ 600 milhões a 660 milhões.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 03/08/2026, às 14:52, e 04/08/2026, às 18:44 e 19:12

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