Junto ao Fusca, a Volkswagen Kombi é um dos veículos mais populares do mundo e, no Brasil, tem uma parcela significativa para esta longa jornada. Afinal, foram 56 anos de produção contínua, de 1957 a 2013.
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Além das edições especiais, tendo como exemplo a Série Prata, a Edição 50 Anos e a Last Edition, a primeira geração, como sabemos, é uma das mais cotadas por colecionadores. Este modelo ficou popularmente conhecido como ‘corujinha’, devido à sua frente estilizada que se assemelha à ave noturna. Hoje um raro modelo, disputado por colecionadores.
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É deste exemplo a nossa homenageada. Trata-se de uma VW Kombi 1973 pintada na nostálgica cor verde Místico, que foi novidade também na linha Brasilia, Fusca, SP2 e Variant. Disponível por meio da loja GG World Premium Classic Cars por R$ 190 mil, a perua passou por um criterioso processo de restauração até chegar a este nível que você vê.
“A nossa Kombi é uma Standard original com motor ‘matching numbers’ 1.500 que foi restaurada no mais alto padrão de qualidade”, resume Alex Fabiano, o GG.
Aqui, uma explicação do termo ‘matching numbers’ aos menos íntimos, se me permitir, amigo leitor. Ele refere-se a veículos com motor, câmbio e chassi, cuja numeração de identificação é a mesma de fábrica, como é o caso deste icônico exemplar à venda pela GG.
Essa corujinha da Volks encanta pela simplicidade do conjunto sem deixar de lado o charme. O verde reluzente da carroceria, o branco dos para-choques, os cromados do conjunto óptico… Tudo original e sem marcas do tempo.
CHARME ESTÁ NA SIMPLICIDADE
Imagem: Agência HKCD
Internamente, apenas o essencial. Painel com velocímetro e odômetro e marcador do nível de combustível. Nem rádio foi instalado para preservar o estado bruto dessa joia. Curioso mesmo é o sistema de ventilação composto por um duto que direciona o ar, por meio de uma chave seletora, para a cabine ou ‘salão’ traseiro.
Outra particularidade das Kombis ‘corujinhas’ está no recurso de abertura deslizante das janelas das portas dianteiras. Basta apertar uma trava e deslizar até quanto quiser. São cinco níveis de abertura. Como coadjuvantes, os quebra-ventos ajudam a resfriar o abafado habitáculo. Atrás, quatro janelas basculantes cumprem o seu papel de arejar os passageiros.
O motor boxer a ar é o clássico 1.500 que durou até 1975. Com 52 cavalos de potência e 9,1 kgfm de torque (a 2.600 rpm), agilidade não era o ponto forte da perua da Volkswagen. Dados de época apontam intermináveis 46 segundos de zero a 100 km/h, com velocidade máxima de 100 km/h.

Imagem: Agência HKCD
Outros pontos críticos estavam no baixo consumo e autonomia. Fazia cerca de 5 km/l no uso na cidade e 6,6 km/l na rodovia. Para completar, o compacto tanque de combustível (43 litros) exigia mais idas aos postos.
Em contrapartida, a capacidade de carga de 970 kg e espaço para bagagem superior a 700 litros eram um ponto forte da perua da Volks. Fora isso, a indiscutível capacidade de transporte de até nove passageiros fez deste clássico brasileiro um dos veículos mais vendidos até hoje.
KOMBI: ONDE TUDO COMEÇOU

Imagem: Divulgação
Nascida logo após a Segunda Guerra Mundial, quando as tropas britânicas deixaram a sede oficial da Volkswagen em Wolfsburg, a velha e boa Kombi fez sucesso em todos os quatro cantos do planeta, caindo definitivamente nas graças de todos, principalmente do público em cujas terras o modelo ainda é comercializado, como o Brasil.
O sucesso de tanta resistência e vitalidade, comparado aos projetos mais avançados de suas concorrentes, veio a partir do esboço de um oficial inglês das forças de ocupação; seu nome era Major Ivan Hirst – encarregado na época de liderar a produção de automóveis bélicos para a Segunda Guerra Mundial.
O projeto Typ 2 (Tipo 2) só veio à tona graças a uma parceria entre Hirst, o engenheiro alemão Alfred Haesner e o holandês Ben Pon, dono de concessionária. Pon, certa vez ao visitar as dependências da sede da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha, notou um curioso veículo batizado de Plattenwagen que tinha como finalidade transportar peças de um galpão para outro dentro da fábrica.
O empresário então pensou que seria interessante fazer a importação para a Holanda, porém Pon acabou se frustrando por não poder importar os Plattenwagen, devido às rigorosas normas de trânsito que vigoravam naquele país.
Assim, o empresário Ben Pon teve a feliz ideia de desenvolver um projeto revolucionário que atendesse ao mercado de utilitários. Depois de apresentado o esboço aos Hirst e Haesner, o projeto “Tipo 2” ganhou vida no ano de 1947. Foi assim que nasceu a Kombi.
Dois anos depois, o Transporte – nome de batismo da Kombi alemã – já era comercializado na Alemanha e vendido a outros países como Polônia, Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, entre outros.
PIONEIRA

Imagem: Divulgação
Kombi é originado do alemão Kombinationsfahrzeug, que na tradução literária significa veículo combinado. Nesse caso, a interpretação pode ser entendida como veículo de uso misto para carga e passeio.
Por aqui, as primeiras unidades vieram da Alemanha em 1950. Com o sucesso e a importância de um utilitário robusto, espaçoso e de manutenção barata, em 1953, o modelo passou a ser produzido no Brasil. A empresa responsável ficaria a cargo da Brasmotor, então representante da Chrysler e dona da Brastemp.
Em 1957, a van passou a ser produzida na então recém-inaugurada fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). Assim, tornou-se o primeiro automóvel nacional da montadora no Brasil. Era quase idêntica à configuração alemã, mas com algumas adaptações para o nosso mercado.
No entanto, a Kombi “Made in Brazil” trazia a mesma mecânica da importada. Era o próprio boxer refrigerado a ar do VW Sedan (Typ 1), de 1.192 cm³ (1.200) e 36 cv, o Fusca que conhecemos por aqui.
No início, havia as opções Luxo e Standard, além da Lotação, lançada em 1967, todas muito populares no Brasil. No mesmo ano, foi introduzida a versão picape e o novo motor 1.500 a toda a linha, com 1.493 cm³ de 44 cv, além de sistema elétrico de 12 volts. Curiosamente foram lançadas com seis portas, sendo duas para cada fileira de bancos.
Em 1975 ocorreria a primeira mudança estética (conhecida como Clipper), além da chegada do novo motor 1600 de 58 cv. Inicialmente a Volks pretendia fazer a reestilização completa, igual à alemã, com a porta corrediça e três grandes janelas de cada lado. Só que, para cortar custos, a fábrica preferiu combinar a frente (com as portas dianteiras) e a traseira (apenas as lanternas) do modelo alemão com a carroceria do nacional, de 12 janelas laterais.
Em 1981, a Volkswagen iniciava as vendas da Kombi com motor de 1,5 litro de 50 cv movido a diesel, refrigerado a água e um exclusivo radiador dianteiro. Este motor era o mesmo que equipava o Passat exportação e foi oferecido nas versões Pick-up, com cabine simples ou dupla, e Furgão.
A mudança mais profunda só chegaria em 1997, quando o modelo finalmente recebia a porta corrediça e carroceria semelhante àquela conhecida no resto do mundo, embora o teto elevado em 11 cm seja único do modelo brasileiro.
Em 2005, a VW marcava a chegada da Série Prata, edição limitada que marcava o último modelo refrigerado a ar. No ano seguinte, a Volkswagen iniciava a comercialização da veterana Kombi com nova motorização refrigerada a água, o EA111 1.4 flex de 80/78 cv que durou até 2013.
LAST EDITION ENCERRA O CICLO DE 56 ANOS

Imagem: Divulgação
No último ano de fabricação, a Volkswagen lançou a Last Edition como uma série de despedida. Inicialmente, foi limitada em 600 unidades e, mais tarde, mais 600 exemplares, visando à alta demanda e, obviamente, à futura valorização do modelo.
Visualmente, era destacada pela pintura saia-e-blusa azul e branca, além de lentes de luzes de seta em cristal, rodas com faixas brancas e adesivo de 56 anos de produção no Brasil. Por dentro, as diferenças são os bancos em vinil azul, branco e cinza, cortinas personalizadas com fivela com o nome Kombi bordado e sistema de som MP3 com entradas auxiliar e USB.
Desde setembro de 1957 até julho de 2013 foram produzidas 1.551.140 unidades da Kombi na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

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