Já institutos nacionais de clima como o INMET, o INPE e o CPTEC têm apresentado previsões menos conclusivas quanto à evolução de La Niña para os próximos meses. Segundo boletins recentes, o Brasil permanece em condição neutra de ENOS (El Niño-Oscilação Sul), ou seja, nem El Niño nem La Niña plenamente instalados. Há indícios de resfriamento no Pacífico, especialmente em camadas superficiais e subsuperficiais, o que é compatível com o desenvolvimento de La Niña, mas os modelos brasileiros ainda apontam cenários divergentes: alguns projetam transição para La Niña, outros mantêm neutralidade.
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O fenômeno climático conhecido como La Niña ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais frias que o normal, alterando a circulação atmosférica em escala global. Na prática, isso muda o regime de chuvas em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos costumam ser marcantes: maior volume de chuvas no Norte e no Nordeste, além de risco de estiagens e veranicos no Sul. O El Niño é o oposto — águas mais quentes no Pacífico, que geralmente provocam seca no Norte e Nordeste e chuvas mais intensas no Sul.
Para o produtor rural, esse cenário exige atenção. No Nordeste, o fenômeno pode significar alívio para lavouras dependentes da chuva, aumentando a expectativa de uma safra mais regular. Já no Sul, a preocupação é com períodos de seca, que afetam diretamente culturas como milho e soja, além da pecuária de leite e corte. No Centro-Oeste, os efeitos variam, mas a irregularidade na distribuição das chuvas é um risco constante.
Em anos de La Niña, especialistas recomendam reforçar práticas de manejo de solo, investir em sementes tolerantes ao estresse hídrico e, quando possível, diversificar o calendário de plantio para reduzir a exposição às fases mais críticas da cultura. O produtor não controla o clima, mas pode adotar estratégias que aumentam a resiliência da lavoura diante de um fenômeno que tem potencial de influenciar toda a safra 2025/26.
(Com Pensar Agro)
Fernanda Toigo
Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.