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Liquidante segue R$ 840 milhões do Master que viraram mansões de Vorcaro em Aspen e Miami

Banco Master: De banco mineiro que oferecia CDB de 140% a alvo da PF e do BC

Conheça a trajetória da instituição de Vorcaro, preso quando tentava fugir do Brasil, segundo a PF. Crédito: Alvaro Gribel

A EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, identificou o caminho do dinheiro desviado da instituição, que se transformou em imóveis de luxo nas montanhas nevadas de Aspen e à beira mar, em Miami. Em petição protocolada no tribunal federal de falências da Flórida, a massa falida pede a anulação de transferências e o bloqueio imediato de propriedades avaliadas em mais de US$ 168 milhões (cerca de R$ 840 milhões).

Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Master, afirmou que não comentaria.

A petição lista três propriedades. Uma em Owl Creek, em Aspen, pela qual foram pagos à vista US$ 77 milhões (por volta de R$ 385 milhões), além de quase US$ 30 milhões (R$ 149 milhões) colocados em reformas e despesas. Também estão lá duas propriedades em Sabal Palm Road, em Miami, compradas em 2025, quando o banco já estava em dificuldades. No total, foram desembolsados US$ 127,5 milhões (cerca de R$ 639 milhões) entre a aquisição e despesas associadas por ambas.

A peça judicial detalha como Vorcaro teria utilizado uma intrincada teia de fundos nas Bahamas e nas Ilhas Cayman, empresas de fachada nos EUA e contratos de aluguel fictícios para desfrutar pessoalmente de mansões milionárias, enquanto a instituição bancária acumulava um déficit bilionário no Brasil.

Por meio do rastreamento do dinheiro, o liquidante foi capaz de comprovar que os valores do banco no Brasil eram drenados via duas rotas offshore (para fora do País) principais. Uma era via Bahamas e a outra, via Cayman (mais detalhes no gráfico no fim do texto).

Depois de passear pelo Caribe, o dinheiro era enviado para Nova York, onde eram feitos empréstimos simulados a empresas de fachada nos EUA, criadas via trusts (estruturas de proteção) familiares. Essas estruturas compravam imóveis milionários em dinheiro vivo e sem financiamento bancário.

Posteriormente, essas estruturas firmaram contratos de locação de 10 anos concedendo a Vorcaro o direito exclusivo de residir nos imóveis, com opção de compra abatendo de 70% a 100% dos aluguéis pagos.

Segundo o liquidante, Vorcaro utilizava os imóveis como residência pessoal e supervisionava as reformas, mas jamais pagou nenhuma parcela de aluguel. As empresas nunca executaram a cobrança da dívida, o que evidenciaria o uso de estruturas erguidas unicamente para servir de blindagem patrimonial.

Alguns detalhes importantes comprovam essa tese. Uma das sócias de um dos fundos contatou urgentemente a uma das empresas de fachada dona dos imóveis informando que Daniel Vorcaro havia sido erroneamente listado como proprietário das empresas. Ela instruiu a alteração imediata dos papéis para colocar um dos trusts como membro ostensivo e apagar a ligação direta com Vorcaro.

A mansão de Aspen teve um contrato de compra e venda assinado diretamente por Vorcaro, em 20 de março de 2024. Após a criação da empresa de fachada Clear River Properties LLC, o contrato foi assinado e cedido para a empresa. Seis dias depois, a mesma sócia solicitou que as cotas fossem transferidas sem nenhuma contraprestação para uma das empresas de fachada.

Também há documentos comprovando que gestores dessas empresas de fachada atuavam em favor de Vorcaro, de diferentes maneiras. Há desde cartas de referência atestando sua “honestidade e integridade” até compras de obras de arte milionárias. Também a emissão cartões de crédito que, apesar de estarem no nome dos executivos, foram destinados a uso irrestrito de Vorcaro. As faturas com compras extravagantes frequentemente superavam US$ 100 mil por mês e eram pagas com recursos desviados do banco, de acordo com o liquidante.

Veja abaixo os detalhes da operação:

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