A história do Brasil é também uma história de superações. No século passado, vivemos crises cambiais recorrentes e dependemos do socorro financeiro internacional. Hoje, temos reservas expressivas e blindagem contra turbulências externas.
Vencemos a inflação crônica, que chegou à hiperinflação, e conquistamos estabilidade monetária. O País se tornou potência agroalimentar e grande exportador de petróleo. Neste século, avançamos em expectativa de vida, mortalidade infantil, acesso à educação e combate à extrema pobreza, ainda que haja muito a fazer.
Poucas economias reúnem, ao mesmo tempo, nossas fortalezas: economia diversificada, matriz elétrica renovável, mercado interno amplo, sistema financeiro sólido, recursos naturais abundantes e rica biodiversidade.

Passada a eleição, é hora de encarar de frente os problemas Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Nossos indicadores são sólidos, com inflação sob controle, baixo desemprego e PIB em crescimento.
Mas nem tudo são flores. Há desafios pela frente, como a dívida pública crescente, os juros elevados e a rigidez do Orçamento.
Essas questões foram bastante exploradas durante a campanha eleitoral encerrada há alguns dias. Para vários analistas de mercado, a solução é consertar tudo de uma vez e rápido.
Talvez seja preciso antes considerar que o tempo dos grandes e voluntariosos pacotes econômicos ficou no passado. O Brasil mudou para melhor, o que permite um olhar de temperança para que os avanços sejam seguros e negociados.
Uma visão objetiva do resultado das eleições evidencia que a maioria tem o mesmo desejo. O que muda é o mapa do caminho.
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A questão fiscal é um exemplo. Lemos e ouvimos uma profusão de análises e sugestões sobre o tema. O diagnóstico é bem parecido e as opiniões sobre o que fazer pouco divergem. A retomada do controle do Orçamento talvez seja uma delas. A redução dos benefícios tributários pode ser outra. Reduzir gastos sem aumentar impostos é outra ideia convergente.
É preciso ser objetivo em relação à realidade brasileira. A redução de despesas deve preservar a infraestrutura de saúde, educação e benefícios sociais. Pois o País tem dificuldades de ordem política e moral com tantos números de desigualdade.
O capital político acumulado na corrida eleitoral, porém, abre uma janela de oportunidade para que a montagem dessa equação represente minimamente os anseios do mercado e também dos eleitores. Um programa que tenha consistência reduz incertezas, melhora as condições de financiamento e estimula o investimento.
Além disso, também estabelece a base para a recuperação do grau de investimento.
Mãos à obra.