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Mapa confirma 238 mortes associadas a rações da Nutratta

Outros 195 óbitos são investigados; Ministério recorreu da decisão do TRF-01 que autorizou a empresa a continuar a fabricação de rações para aves, bovinos e suínos

Cavalo avaliado em R$ 12 milhões morreu após consumir ração da Nutratta, segundo haras. Foto: Quantumdealcateia/Instagram/Reprodução

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou uma nota oficial, nesta sexta-feira, 11, confirmando 238 mortes de animais associadas ao consumo de rações fabricadas pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda. De acordo com o comunicado, há, ainda, outras 195 mortes de equinos em apuração. Na semana passada, a pasta anunciou que investigava 222 casos.

Segundo o Mapa, em todas as propriedades investigadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas os equinos que adoeceram ou vieram a óbito consumiram produtos da empresa. “Já os animais que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis, mesmo quando alojados nos mesmos ambientes”, diz o texto. 

O ministério também confirmou “a detecção de alcaloides pirrolizidínicos (substâncias tóxicas e incompatíveis com a segurança alimentar animal) em amostras coletadas” durante as inspeções realizadas na fábrica da Nutratta, além de outras irregularidades.

De acordo com a nota emitida, as novas apurações acontecem em nove localidades: 40 no sudoeste da Bahia, 70 em Goiânia (GO), 34 em Jarinu (SP), 10 em Santo Antônio do Pinhal (SP), 18 em Uberlândia (MG), 8 em Guaranésia (MG), 8 em Jequeri (MG) e 7 em Mariana (MG). 

No entanto, o ministério destaca que a investigação de novos casos “tem sido dificultada pela ausência de comunicação formal via Ouvidoria, o canal oficial para registro das denúncias”.

Casos de intoxicação podem passar de 1.400, denunciam criadores

Uma das vítimas entre os 18 cavalos mortos em Caçapava (SP). Foto: Roberto Barros/Arquivo Pessoal

Nesta quarta-feira, 09, o Agro Estadão publicou uma reportagem sobre o levantamento extraoficial realizado por um grupo de criadores, que aponta um número muito superior de animais intoxicados: 1.400 — sendo que 729 animais morreram (mais que o triplo das confirmações oficiais), 461 estão em tratamento e 225 em observação. 

Só o haras Nova Alcateia, um dos principais criatórios da raça Mangalarga Marchador no Brasil, perdeu 69 cavalos. Entre eles, o garanhão Quantum de Alcateia, avaliado em R$ 12 milhões (fora lucros de quase R$ 30 milhões em 10 anos). O haras responsabiliza a ração da Nutratta pela morte dos animais.

Procurada pela reportagem, a empresa não deu retorno. O único posicionamento oficial foi emitido no início de junho. A Nutratta lamentou as mortes e citou a interdição feita pelo Ministério da Agricultura, “por meio de termo de suspensão cautelar de fabricação, como parte dos procedimentos de fiscalização em curso”.

O caso vem sendo investigado desde o início de junho, quando o Mapa suspendeu cautelarmente a comercialização da ração Forrage Horse, após relatos de mortes de cavalos e indícios de contaminação. Com a evolução das investigações e o crescimento do número de notificações, a suspensão foi ampliada para todas as rações destinadas a equídeos fabricadas a partir de 22/11/2024, devido a falhas graves de rastreabilidade, uso de ingredientes não autorizados e risco sanitário generalizado.

Nutratta não comprovou recolhimento de lotes afetados

ração nutratta; cavalos contaminados
Foto: Ana Maria Moreira/Divulgação

No mês passado, a empresa foi notificada a realizar o recolhimento dos lotes afetados, procedimento que segue sob acompanhamento do Ministério. No entanto, segundo o Mapa, “até o momento, não foi apresentada documentação que comprove a conclusão do recolhimento de todos os lotes afetados, motivo pelo qual permanecem em vigor os alertas às autoridades locais e consumidores”. 

Na terça-feira, 8, o TRF-01, em Goiás, autorizou a empresa a retomar a produção e a comercialização de rações que não sejam destinadas a equinos. A medida contrariou a decisão do Mapa, que determinava a suspensão total. O Ministério disse que já recorreu da decisão e que “apresentou novas evidências técnicas que reforçam o risco sanitário representado pelos produtos e a necessidade de manutenção das medidas preventivas adotadas”. 

A pasta informou que o estabelecimento havia sido inspecionado pela última vez em fevereiro de 2025 e junho de 2023. “As ações de fiscalização seguem critérios técnicos baseados em avaliação de risco, histórico do estabelecimento e denúncias recebidas”. 

Como denunciar: O Mapa orienta que quaisquer informações ou denúncias relacionadas ao caso sejam encaminhadas por meio da Ouvidoria, no endereço: https://www.gov.br/ouvidorias/pt-br

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