Escalada das tensões diplomáticas entre Washington e a União Europeia reforçaram movimento negativo
Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta terça-feira, 20, em leve queda na Bolsa de Chicago. Os preços foram pressionados pela perspectiva de enfraquecimento da demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos (EUA), em meio ao avanço da colheita da safra brasileira.
O contrato março/26 recuou 0,45%, para US$ 10,53 por bushel, enquanto o vencimento maio/26 caiu na mesma intensidade, fechando a US$ 10,64 por bushel. Entre os derivados, o óleo de soja registrou baixa de 0,10%, enquanto o farelo de soja avançou 0,55%, refletindo ajustes técnicos e demanda pontual pelo subproduto.
No pregão, os preços foram pressionados principalmente pela expectativa de redução das compras chinesas de soja norte-americana. O viés baixista ganhou fôlego com a notícia de que a China já atingiu a meta de compra de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA, prevista para ser concretizada até o fim de fevereiro. As informações são de operadores ouvidos pela agência Reuters.
A informação somou-se ao avanço da colheita de uma possível safra recorde de soja no Brasil. A Datagro grãos estima uma produção inédita de 182,7 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
Tensões envolvendo a Groenlândia
O sentimento negativo no mercado também foi reforçado pelo aumento da aversão global ao risco, em meio à escalada das tensões diplomáticas entre Washington e a União Europeia. As divergências envolvem a Groenlândia – território da Dinamarca do qual o presidente Donald Trump quer anexar aos EUA. O cenário levou cautela adicional aos mercados de commodities.
Conforme a Datagro, apesar das pressões, as perdas da soja foram limitadas pela demanda internacional aquecida. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou uma venda pontual de 190 mil toneladas de farelo de soja para as Filipinas.
Além disso, os embarques semanais de soja dos EUA totalizaram 1,3 milhão de toneladas na semana encerrada em 15 de janeiro, segundo dados divulgados pelo USDA. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, que variava entre 1,0 milhão e 1,4 milhão de toneladas.