Especialistas não acreditam em uma substituição do mercado de crédito tradicional, mas uma complementação
O mercado de capitais começa a ganhar cada vez mais espaço na tomada de crédito rural. Segundo especialistas, o movimento ainda é tímido, mas têm ganhado força diante de taxas de juros elevadas e maiores exigências das instituições financeiras para a concessão desses recursos.
Uma das alternativas que tem sido destacada é a Cédula de Produto Rural (CPR). Luis Felipe Thut, head de Renda Fixa do Bradesco BBI, lembra que a presença do agronegócio nesse ambiente é recente. “O setor chegou tarde no mercado de capitais. Hoje, representa apenas 3,5% desse mercado, com cerca de R$ 150 bilhões em cédulas. Mas vemos oportunidades importantes com o crescimento dos Fiagros [Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais]”, explica.
Para Thut, o mercado de capitais não substitui o crédito tradicional, mas o complementa. A questão, segundo ele, é a disputa por recursos. “O investidor olha para um título do agronegócio comparando com alternativas como papéis públicos ou instrumentos de infraestrutura. O ponto central é o entendimento do risco atrelado ao ativo. Por isso, nosso esforço tem sido aproximar investidores dos emissores”, relatou durante o Agro Summit 2.0, organizado pelo Bradesco BBI, nesta quinta-feira, 11.
Apesar da abertura de novas frentes, os bancos ainda concentram a maior parte do financiamento. “Hoje, dois terços do crédito agrícola continuam no balanço das instituições. O mercado de capitais cresce, mas ainda temos um estoque muito grande para gerir. Precisamos buscar alternativas para continuar sendo relevantes”, afirmou Roberto França, diretor de agronegócio DEF do Bradesco.