O Mercado Livre e o iFood começaram a incluir farmácias parceiras em seu marketplace, justamente quando a venda de medicamentos pela internet conquistou espaço. Hoje, ocupam cerca de 15% do varejo farmacêutico brasileiro, o dobro de há dois anos. Só no primeiro semestre deste ano, o setor movimentou R$ 130,2 bilhões, 10,1% a mais que no mesmo período de 2025.
A principal vantagem das plataformas está no alcance. Em agosto, o Mercado Livre recebeu 209 milhões de visitas no Brasil, contra 14,8 milhões da RD Saúde, dona da Droga Raia e Drogasil; 4,8 milhões da Pague Menos e 1,5 milhão da Panvel. São informações da Semrush, empresa de análise de tráfego digital, em dados divulgados pelo Banco Safra.
Para as farmácias, a mudança não é só a chegada de novos concorrentes. Ao vender por aplicativo próprio, definem oferta e preço. Assim, mantêm a relação com o consumidor.

Mercado Livre e iFood disputam pelo mercado com farmácias; vendas online ocupam 15% do setor farmacêutico Foto: Adobe Stock
Quando outras plataformas entram no mercado, esses produtos permitem comparação direta de preços e colocam as redes em disputa pela posição e visibilidade.
Essa competição pode ser relevante em um mercado em que o preço dos medicamentos varia de estabelecimento para estabelecimento. E há os descontos usados para atrair os consumidores aos canais digitais.
A escala das novas plataformas também pode mudar a logística da entrega. O consumidor pode comprar os remédios junto com produtos de outras procedências, com pagamento e frete integrados.
Após o anúncio da operação, os preços das ações da Pague Menos, da RD Saúde e da Panvel caíram 8,0%, 5,4% e 4,9%, respectivamente.
A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) levou o caso à Anvisa, que abriu neste ano processo para regulamentar a contratação de plataformas digitais por farmácias.
Em setembro, a agência notificou o Mercado Livre sobre a venda de medicamentos sujeitos a prescrição e pediu informações sobre licenças, farmacêutico responsável, conferência de receitas, armazenamento e condições de transporte.
O Itaú BBA estima que os medicamentos possam acrescentar 5,3% ao volume bruto de mercadorias (GMV) do Mercado Livre no Brasil até 2030.
O tíquete médio das compras digitais de medicamentos alcançou R$ 82,37 no primeiro semestre deste ano, 17,6% superior ao realizado em lojas físicas.
Importante influência no setor foram as vendas do GLP-1 (canetas emagrecedoras), que movimentaram R$3,8 bi entre junho e agosto e respondem por 11% da receita das grandes redes de farmácias, como relata a consultoria Close-Up International.
A operação interessa às plataformas porque coloca nova categoria de consumo em sua base de clientes. Para as farmácias, a mudança pode significar outro canal de vendas, mas também maior dependência de uma plataforma que concentra capacidade de acesso e informações sobre o consumidor.