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Milho avança no Paraná e pode ultrapassar a soja como principal grão do Estado

Segundo levantamento de novembro do Deral, o custo variável de produção do milho no Paraná foi, em média, de R$ 39,09 por saca na primeira safra e de R$ 38,74 na segunda safra. Já o preço médio pago pela saca foi de R$ 56,36 no ano passado. No mesmo período, o custo de produção do trigo foi de R$ 72,43, com preço médio de R$ 73,10 por saca. “Nesse caso, o produtor de trigo levou prejuízo”, resume Gervásio.

Já o custo de produção de soja foi de R$ 58,39 no mesmo período, e o preço médio da saca de 60 quilos, de R$ 118,88 no ano. Nesse caso, a vantagem do milho está no fato de ter produtividade maior. A soja rendeu 3.800 quilos por hectare, e o milho, 10.862 quilos por hectare na primeira safra e 6.276 quilos por hectare na segunda.

Analistas percebem um agricultor atento, com grande foco na busca por eficiência produtiva, que faz ajustes estratégicos de área e toma decisões cada vez mais com base em dados sobre condições climáticas e sinais do mercado. Para obter a produtividade esperada no campo, o produtor Fabrício de Lima diz que tem investido mais, principalmente na compra de insumos e no aspecto operacional da lavoura. “Estamos investindo em torno de R$ 4.000 por hectare, com a expectativa de rendimento lá na frente”, conta.

Em sua fazenda, a produtividade média tem sido de 140 sacas (8.400 quilos) por hectare. “Hoje, sabendo produzir, com os melhores materiais e clima bom, é possível ter uma boa produção. O desafio é correr atrás de rentabilidade, tentar reduzir custos, saber quando vender e negociar”, afirma.

Segundo ele, os maiores gargalos são o preço dos insumos e também dos combustíveis, o que o faz considerar vantajoso o modelo que adotam as cooperativas agrícolas da região, como Coopavel e Copacol, com as quais mantém uma relação favorável de troca entre insumos e grãos.

Nos Campos Gerais, Bertolini cultiva em torno de 1.000 hectares de milho, distribuídos em seis áreas nos municípios de Carambeí, Castro e Piraí do Sul. As propriedades são certificadas para a produção de milho especial destinado a consumo humano, entregue a uma empresa do ramo de petiscos.

O produtor lembra que, na região, reconhecida pelo alto nível de tecnologia no campo, os produtores cultivam apenas o milho de primeira safra. Um diferencial na propriedade que ele tem em Carambeí é a estrutura de silos próprios, que está em processo de ampliação.

“Há algumas décadas, temos investido na armazenagem dentro da fazenda, uma etapa que sempre teve um papel estratégico para nós. Ela abre oportunidades não só de fazermos a comercialização do grão no momento ideal, mas também de alcançar mercados diferenciados, que pagam melhor”, ressalta. Bertolini também trabalha com o milho commodity, em menor escala.

Para a temporada 2025/26, o Deral informou na Previsão Subjetiva de Safra que publicou em janeiro que a área de cultivo na primeira safra deverá aumentar, passando de 281.000 hectares para 339.300 hectares. O órgão também prevê aumento de produção: o volume, que foi de 3 milhões de toneladas no ciclo 2024/25, deverá chegar a 3,5 milhões de toneladas em 2025/26.

Já na segunda safra, o documento informa que a área deverá crescer em torno de 1%, para 2,8 milhões de hectares, o que, caso se confirme, será um novo recorde no Estado. A estimativa para a produção na safrinha é de 17,4 milhões de toneladas, volume considerado alto, ainda que ligeiramente inferior ao da colheita excepcional do ciclo anterior, que foi de 17,6 milhões de toneladas.

O Deral observa que o resultado final dependerá do desempenho da soja, especialmente no oeste do Estado, já que o bom andamento da colheita melhora as condições para se conseguir o melhor aproveitamento possível da janela de plantio do milho. Em 2025, o volume na segunda safra cresceu 35%, para 17,6 milhões de toneladas, consolidando o Paraná como o segundo maior produtor de milho safrinha do Brasil. Na primeira colocação ficou Mato Grosso, o maior produtor de milho do país, que colheu 55,1 milhões de toneladas na safrinha.

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