A Nissan lançou na Índia a Gravite, uma minivan de sete lugares. Com apenas 3,98 m de comprimento, o modelo foi projetado com foco na legislação local, que concede benefícios tributários a veículos com menos de quatro metros de um para-choque a outro.
A nova minivan é o segundo pilar da reestruturação da marca no país, pegando carona no bom desempenho do SUV subcompacto Magnite (3,99 m), à venda desde 2020. Apesar de ter uma fatia pequena do mercado doméstico (em torno de 1%), a Nissan é uma das maiores geradoras de divisas para a Índia no setor automotivo devido ao enorme volume de exportações — o Magnite indiano é comercializado em nada menos que 65 países, inclusive o México.
Para os brasileiros, uma curiosidade: a Nissan Gravite é construída sobre a arquitetura modular CMF-A+, da Aliança Renault-Nissan, também utilizada pela minivan Renault Triber. Os dois modelos compartilham todo o monobloco e a lataria externa de portas, teto e traseira.
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Fonte: Nissan
A Renault Triber, por sua vez, é uma derivação familiar de sete lugares do nosso conhecido Renault Kwid. A plataforma é basicamente a mesma, mas com entre-eixos estendido para 2,63 m (13 cm a mais que no Kwid indiano e 21 cm a mais que no Kwid brasileiro). Vendida desde 2019, a Triber passou por seu primeiro facelift em meados do ano passado.
Nota-se que, na Índia, Renault e Nissan continuam a trabalhar com boa sinergia, gerando novos frutos. Desde 2010, as duas marcas compartilham a mesma fábrica em Chennai — o Duster de primeira geração (que ainda é produzido no Brasil) era feito na Índia com o nome Nissan Terrano. Em breve, será lançado o crossover Nissan Tekton, com a plataforma CMF-B do Duster europeu de terceira geração.
Na Nissan Gravite, como na Renault Triber, foi preciso fazer um prodígio de empacotamento para acomodar sete pessoas de forma minimamente digna em um veículo com menos de 4 metros de comprimento.
Renault Triber, a minivan indiana de 7 lugares feita sobre a base do Kwid
Foto de: Renault
A cabine adota configuração 5+2, com terceira fileira removível (sistema EasyFix). Com os sete assentos montados, o porta-malas comporta apenas 84 litros; sem a terceira fileira, o volume salta para 625 litros.
A primeira fila é “adequada”, mas os pés ficam um pouco apertados devido à intrusão das caixas de rodas. Já os bancos da segunda fileira podem deslizar sobre trilhos e reclinar, permitindo que os passageiros negociem o espaço para as pernas com quem vai no “fundão”.
Foto de: Nissan
Assim, a terceira fila é surpreendentemente utilizável: adultos de estatura média conseguem viajar ali em trajetos curtos, graças a um pequeno degrau no teto que garante bom espaço para a cabeça.
Saídas de ar-condicionado exclusivas para a segunda e terceira fileiras (nas colunas B e no teto) ajudam a tornar o interior habitável. O sistema foi desenvolvido com foco em regiões de clima quente, utilizando compressor de maior capacidade. Tons claros no acabamento e a ampla área envidraçada são recursos para evitar a sensação de claustrofobia, mesmo com o carro cheio.
Para marcar a diferença entre Gravite e Triber, mudaram capô, grade, faróis, para-choques e apliques plásticos. De resto, até os contornos das lanternas traseiras são iguais — mexeram apenas no desenho interno das peças.
A parte mecânica é exatamente a mesma da “irmã” Triber: motor BR10 (frequentemente referido como Renault 1.0 SCe ou pelo código de projeto B4D), fruto da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, em versão semelhante à do Kwid brasileiro — três cilindros, 12 válvulas, 1 litro, aspirado. Na Índia, é movido apenas a gasolina, rendendo 72 cv de potência e 9,8 kgfm de torque. Uma opção a GNV é esperada ainda em 2026.
As opções de câmbio são manual ou automatizado, sempre de cinco marchas, denominado comercialmente “EZ-Shift”, também usado nos Renault Kwid e Triber indianos. O consumo declarado é de 19,3 km/l na versão manual e 19,6 km/l na automatizada, pelo ciclo local indiano.
A imprensa indiana descreve esse motor como “subdimensionado” para uma minivan carregada com sete adultos. Os jornalistas relatam dificuldades em ultrapassagens e subidas íngremes nessa condição, exigindo paciência do motorista.
Foto de: Nissan
Todas as versões oferecem seis airbags. O sistema multimídia traz tela flutuante de 8” com Android Auto e Apple CarPlay. O quadro de instrumentos é totalmente digital, com 7”. Dependendo da versão, há carregador de celular por indução, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e travamento automático das portas.
Você até pode achar a minivan Gravite um tanto chinfrim — mas, antes de qualquer comentário depreciativo, saiba que os preços começam em 565.000 rúpias indianas, ou R$ 33 mil na conversão direta — menos da metade do valor de um Kwid básico no Brasil. Já a versão topo de linha, na série especial de lançamento, com som JBL, iluminação ambiente e câmera de bordo dupla, sai pelo equivalente a R$ 48 mil.
Apesar de a Nissan Gravite lembrar conceitualmente uma versão em miniatura da Livina, e de muitos de seus componentes já serem fabricados aqui, não há planos oficiais de vender o novo modelo no mercado brasileiro.
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