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Novo marco legal do seguro rural foi sancionado: agora é torcer para que seja para valer

Nos últimos anos, o governo federal cortou a verba destinada a custear parte do preço do seguro rural. O resultado é que a área plantada coberta pelo seguro caiu de 16% para menos de 3%. É um absurdo, mas é a realidade. Existe um movimento no sentido de reverter o quadro e, no dia 29 passado, foi promulgado o novo marco legal do seguro rural.

O Brasil, ao longo das últimas décadas, graças a investimentos em pesquisa, tecnologia, uso do solo e manejo das propriedades, conseguiu avanços expressivos no agronegócio, transformando-se no maior produtor mundial de soja, cana-de-açúcar e carne bovina, fora os outros produtos em que sempre se destacou, como café e laranja.

Esse salto fantástico não foi obra do acaso ou do jeitinho brasileiro; ao contrário, teve muito investimento e pesquisa gerada por organizações como a Embrapa, a Esalq, as faculdades de agronomia de Viçosa e Jabuticabal, além de outras, e, principalmente, os produtores rurais que acreditaram e entraram de cabeça numa jornada fantástica, coroada de êxito, que transformou o Brasil num dos grandes produtores de alimentos do mundo.

Agronegócio é o carro-chefe das nossas exportações e responde por praticamente um terço do PIB brasileiro Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Mas apenas a tecnologia para produzir não é suficiente para garantir a safra ou a produção. O agronegócio depende de outros fatores, entre os quais as condições climáticas são as mais importantes, o que não quer dizer que as pragas devam ser relevadas, já que, dependendo da cultura, podem causar prejuízos de monta.

O agronegócio é o carro-chefe das nossas exportações e responde por praticamente um terço do Produto Interno Bruto brasileiro. É uma ordem de grandeza que, em qualquer cenário, não pode ser desconsiderada, ou mesmo minimizada. E o quadro fica mais grave quando levamos em conta a perda de importância da indústria dentro do mix nacional. Faz tempo que o Brasil, com as exceções de sempre, deixou de ser visto como uma nação industrializada, pelo menos no sentido da capacidade competitiva com os demais “players” do cenário internacional.

A indústria e o comércio têm giro mensal. A cada 30 dias a empresa gira seu negócio, com o faturamento fechando a conta. O agronegócio é diferente. Na maioria das culturas, o giro é anual. E nas culturas em que o Brasil conseguiu índices excelentes, é de no máximo três vezes. Quer dizer, o produtor rural não tem a mesma disponibilidade de caixa dos outros setores. Se tiver uma quebra de produção no meio do caminho, seja pela razão que for, corre o risco de perder tudo.

As chuvas e secas que atingem o agro brasileiro causam prejuízos anuais ao redor de R$ 40 bilhões. É número para quebrar muita gente, principalmente os médios e pequenos produtores que têm uma única propriedade que, se for atingida, pode perder 100% da receita.

No corte dos recursos para o seguro rural, há uma dose de ideologia que afasta o governo do agronegócio. Só que a maioria dos agricultores não são grandes produtores, são médios e pequenos, justamente os que, se forem atingidos, podem perder tudo. Na semana passada foi sancionado o novo marco legal do seguro rural, com uma série de diretrizes positivas; é torcer para ser para valer.

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