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O GTA 6 ainda não chegou às lojas, mas já movimentou US$ 260 milhões

O GTA 6 sai oficialmente em 19 de novembro. As pré-vendas já movimentaram US$ 260 milhões globalmente, segundo estimativa da Newzoo, empresa de pesquisa especializada na indústria de games. Duzentos e sessenta milhões de dólares de um produto que ninguém ainda jogou. Esse número não é sobre videogame, mas sobre o mecanismo mais valioso da economia de atenção: a espera cultivada por décadas de relevância cultural.

A Rockstar escolheu a Netflix como primeira janela de exibição do novo trailer de GTA 6. Por seis horas, o conteúdo ficou disponível exclusivamente para assinantes antes de ser liberado no YouTube. Os termos financeiros não foram divulgados. A lógica foi explicada por Carlos Eduardo Silva, professor da ESPM e CEO da Go Gamers: “No final do dia, o que todo mundo está buscando? Atenção.” A Netflix atrai fãs do game e transforma a apresentação em um evento para a própria base de assinantes. Dois públicos capturados com um único movimento.

O que torna essa estratégia diferente de qualquer outro lançamento de produto é a natureza do interesse que a precede. Uma pesquisa da Go Gamers mostrou que 65,9% dos fãs de GTA já trocaram de console, compraram ou montaram um PC ou adquiriram periféricos pensando no jogo, antes de qualquer pré-venda abrir.

O produto que ainda não existe já mudou o comportamento de compra de dois terços do público interessado. Isso não é marketing de lançamento. São décadas de narrativa acumulada se convertendo em decisão de consumo antes do produto existir.

O CyberLeek, grupo responsável pelos vazamentos de GTA 6 desde 18 de agosto, entendeu a mesma lógica pelo caminho errado. O grupo vinculou vídeos não autorizados à promoção de uma criptomoeda própria e abriu uma frente publicitária cobrando 400 XMR, equivalente a cerca de US$ 165 mil, apenas para iniciar uma negociação de espaço publicitário.

O raciocínio é o mesmo da Rockstar e da Netflix: onde há atenção, há dinheiro. A diferença é que o CyberLeek não tem o ativo. Tem apenas o acesso momentâneo à audiência que o ativo criou. A Rockstar classificou os vazamentos como “dolorosos” para a equipe. As ações da Take-Two, empresa controladora da Rockstar, chegaram a cair cerca de 5% durante a onda de vazamentos, uma perda temporária de aproximadamente US$ 3 bilhões em valor de mercado, antes de uma recuperação parcial.

Vídeo de GTA VI foi lançado em primeira mão na Netflix antes de ir para o YouTube Foto: Netflix

O primeiro trailer de GTA 6 superou 90 milhões de visualizações no YouTube em 24 horas. O segundo passou de 100 milhões. Esses números explicam por que cada nova divulgação do jogo se transforma em evento econômico antes de ser evento de entretenimento. A pré-venda oficial colocou o jogo a US$ 79,99 na edição Standard e US$ 99,99 na Ultimate.

No Brasil, os preços vão de R$ 449,90 a R$ 549,90. Henrique Prado, sócio da desenvolvedora brasileira Thunder Games, foi preciso: “Um jogo do calibre do GTA 6 é capaz de movimentar toda a indústria e, dentro disso, ampliam-se as possibilidades de monetização.”

O que o GTA 6 demonstra não é sobre games. É sobre o que acontece quando uma marca passa décadas construindo relevância cultural antes de precisar de qualquer campanha. O público brasileiro interessado no jogo tem idade média de 38 anos entre os homens e 34,5 anos entre as mulheres. São millennials que cresceram com GTA. Que têm memória afetiva da franquia. Que esperam o novo título não porque viram um anúncio, mas porque a narrativa foi construída ao longo de toda uma fase da vida. Esse tipo de lealdade não se compra em mídia paga. Se acumula em produto, em história e em tempo.

A Netflix pagou US$ 200 milhões pelos direitos da Copa do Mundo Feminina de 2027. Investe centenas de bilhões em conteúdo original. E, mesmo assim, uma das maiores atrações do seu catálogo neste mês é um trailer de seis minutos de um jogo que ainda não existe, exibido exclusivamente por seis horas antes de ir ao YouTube de graça. A atenção que a Rockstar construiu em 30 anos de GTA vale mais do que qualquer contrato de conteúdo original que a Netflix poderia comprar. E os dois sabem disso.

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