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O mercado está contra o governo Lula? Entenda por que indicadores estão tão voláteis após a eleição

A queda da Bolsa e a alta do dólar e dos juros futuros após a reeleição de Lula não significam necessariamente uma tentativa do mercado de sabotar o governo, como afirmou o deputado Lindbergh Farias. No Fala, Duquesa! desta semana, a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, explica que parte do movimento reflete a revisão de posições que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (assista à íntegra acima).

Para ela, o quadro mostra também a reação dos investidores a propostas para reduzir os juros, como a apresentada pelo economista André Lara Resende, que levantam dúvidas sobre seus efeitos para a inflação, o câmbio e as contas públicas. O debate, portanto, vai além de uma suposta perseguição política e passa pela confiança na condução da economia, diz a Duquesa.

Lara Resende foi um dos formuladores do Plano Real. Ele propõe mudar a condução das políticas fiscal e monetária para tentar reduzir os juros e aliviar o custo da dívida pública. “Pelo plano, a Selic cairia gradualmente e passaria a seguir uma faixa com limites e exceções”, explica a colunista. O Ministério da Fazenda, no entanto, negou que a proposta esteja em discussão no governo. A repercussão ajudou a pressionar dólar e juros futuros.

Bolsa despencou após reeleição de Lula Foto: Werther Santana/Estadão

“Os investidores não avaliam só a proposta; eles avaliam as consequências da proposta. Juros altos custam caro para o governo, para as empresas, para nós. A questão é como baixá-los sem criar outros problemas.” O Banco Central define a Selic, mas não determina a confiança de quem investe, preço do dólar ou quanto alguém exige para financiar o governo por vários anos, completa a Duquesa.

Se a redução aumentar o receio de inflação e de desequilíbrio nas contas públicas, o dinheiro pode procurar outros destinos. “Aí o dólar sobe, pressiona preço e os juros de prazos mais longos podem aumentar.”

A Duquesa explica que o próprio Lara Rezende reconhece o risco cambial e propõe usar reservas internacionais para suavizá-lo. Mas aí existem dúvidas sobre o quão efetiva seria essa proteção.

Programa

Todas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão. Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão. Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais. A atração também tem uma versão em podcast.

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