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O que está em jogo na disputa bilionária entre Minerva e Marfrig no Uruguai

Empresas divergirem publicamente sobre o futuro de três plantas frigoríficas no Uruguai, que se tornaram estratégicas após tarifas à carne bovina brasileira

Impasse entre Marfrig e Minerva ganha peso devido à tarifa dos EUA sobre a carne bovina brasileira. Foto: Adobe Stock

Setembro começa com foco no setor frigorífico sul-americano. Isso porque, até o fim do mês, a autoridade antitruste do Uruguai (Coprodec) deve se pronunciar sobre a venda de três unidades de abate da Marfrig para o Minerva. No encerramento da última semana, a operação ganhou novos capítulos de embate.

Em comunicado ao mercado, a Marfrig disse que, passado o prazo de 24 meses sem aprovação, o acordo foi encerrado automaticamente. O Minerva, por outro lado, também em fato relevante ao mercado, afirmou que o contrato permanece válido e mantém sua disposição em buscar a autorização, inclusive propondo a venda da unidade de Colônia (URY) como contrapartida.

O contrato, assinado em agosto de 2023, previa a transferência de 16 plantas na América do Sul — três delas no Uruguai — por R$ 7,5 bilhões. No Brasil, a transação já recebeu aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas em território uruguaio as barreiras regulatórias travaram o processo.

O impasse ganha peso adicional em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos à carne bovina brasileira. Isso porque, os frigoríficos fora do Brasil, especialmente os localizados no Uruguai, se tornaram estratégicos para acessar mercados premium como o próprio EUA, além do Japão e Coreia do Sul.

Para o Santander, a chance de aprovação da transação é baixa devido aos entraves regulatórios. O que seria positivo para a Marfrig, porque manteria sua presença no Uruguai, aproveitando tanto o momento favorável do ciclo do gado no país quanto os ganhos adicionais que podem vir das tarifas dos EUA sobre a carne brasileira.

Para a Minerva, conforme os analistas do banco apontam em relatório, a não concretização do negócio elimina riscos ligados ao antitruste, garante maior flexibilidade financeira e abre espaço para eventuais dividendos extras.

Contudo, se a Coprodec der sinal verde à operação, restará saber se a Marfrig confirmará a venda ou decidirá manter os ativos, redesenhando o mapa das operações frigoríficas globais. 

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