Search
Close this search box.

o que muda para os carros?

O acordo de livre comércio entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia, assinado em janeiro de 2026 após mais de duas décadas de negociações, pode alterar profundamente o setor automotivo nos próximos anos — mas seus efeitos práticos não serão imediatos no mercado brasileiro.

Pelo acordo, a alíquota de importação de carros europeus, que hoje é de 35% no Brasil, começaria a ser reduzida gradualmente apenas após a ratificação em todos os parlamentos envolvidos, um processo que especialistas estimam levar de 1 a 3 anos. Só a partir do que se chama de “ano 7” do acordo, começaria a queda das alíquotas para veículos leves a combustão — e a isenção total só ocorreria 15 anos depois da entrada em vigor do tratado.

Como ficará a tributação para carros

Segundo o cronograma, a redução de imposto para veículos importados seguirá uma tabela escalonada ao longo de anos e contando a partir da entrada em vigor do acordo:

  • Ano 0 ao 6: alíquota de 35% sobre veículos importados, sem redução

  • Ano 7 ao 15: queda gradual a partir de 28,3% da tarifa até chegar a 0% no ano 15 para carros a combustão

  • Tecnologias mais avançadas, como hidrogênio ou “novas tecnologias”, teriam cronogramas ainda mais longos, de até 35 anos para isenção completa.

Para aproveitar as tarifas reduzidas, os veículos importados deverão cumprir uma regra de pelo menos 55% de conteúdo produzido dentro dos blocos (Mercosul e UE).

O que isso significa para o Brasil

Para o setor automotivo brasileiro, a perspectiva de reduzir tarifas tem duas faces. Por um lado, a previsibilidade de mercado e a possibilidade de exportar — inclusive para países europeus — são vistos como ganhos importantes em um cenário global incerto. “A redução de tarifas de importação e exportação de veículos e autopeças provocará a redução dos preços dos produtos fabricados nas áreas, tornando-os mais competitivos”, avaliou o especialista Milad Kalume Neto, diretor executivo da K.Lume Consultoria Automobilística.

Kalume destaca que o acordo abre “oportunidades em um mercado enorme, maduro e muito variado” para os fabricantes do Mercosul. Ele aponta que o Brasil já produz hatches, sedãs, SUVs e picapes de pequeno porte que são bem vistos pelos consumidores europeus — e que bastaria, em muitos casos, “adequá-los ao mercado europeu” para poder exportar.

Potencial para exportação de tecnologia flex e autopeças

Outro ponto destacado pelo especialista é a possibilidade de expandir a indústria de autopeças. Com a redução de tarifas, fornecedores dos dois blocos podem colaborar em escala, impulsionando tanto a produção local quanto a exportação de componentes. A tecnologia flex (gasolina/etanol), fortemente utilizada no Brasil, também pode encontrar espaço na Europa, especialmente em motores híbridos flex, uma vez que os europeus buscam alternativas para reduzir as emissões de carbono no continente, mas não vão deixar de oferecer modelos a combustão tão cedo.

Riscos e desafios para a indústria local

No entanto, o acordo também traz desafios significativos para a competitividade interna. A entrada gradual de veículos europeus mais baratos pode forçar montadoras brasileiras a repensar estratégias de produção e inovação para manter participação no mercado doméstico. Setores mais competitivos e produtivos na Europa podem, a longo prazo, colocar pressão sobre unidades fabris nacionais, e há o risco de desindustrialização ou desaceleração de soluções regionais.

Outro mecanismo importante previsto no tratado é o das salvaguardas: caso a indústria nacional comprove que o aumento de importações causou dano significativo ao setor local, o governo brasileiro poderá suspender a redução de tarifas e restabelecer a alíquota de 35% para proteger a produção interna.

O acordo UE-Mercosul representa um passo histórico nas relações comerciais entre Brasil e Europa, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e abrindo perspectivas tanto para importação quanto para exportação de veículos e autopeças. No entanto, seus efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de muitos anos, com mudanças graduais nas tarifas que podem impactar preços de importados, competitividade da indústria nacional e cadeias produtivas — ao mesmo tempo em que criam oportunidades para produtores brasileiros em um mercado global maior.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *