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PIB do Cavalo Crioulo: raça movimenta R$ 3 bilhões ao ano no RS

Pesquisa da Esalq/USP detalha impacto nacional da raça, que já sustenta 15 mil empregos diretos no Sul

Freio de Ouro, realizado durante a Expointer, é a prova máxima da raça. Foto: Felipe Ulbrich/ABCCC

O cavalo Crioulo movimenta mais do que tradição e paixão no campo. Dados preliminares de um levantamento da Esalq/USP adiantados ao Agro Estadão, indicam que a raça injeta cerca de R$ 3 bilhões por ano apenas na economia do Rio Grande do Sul. Segundo o estudo, cada animal representa R$ 8.902 em receita à sociedade. A raça sustenta 15 mil empregos diretos dentro da porteira.

A pesquisa, encomendada pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), será apresentada em versão completa até o final de setembro e deve mensurar o PIB nacional da raça, considerando desde a produção primária até setores como selarias, provas, leilões, vestuário, transporte e mídia.

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Raça gera 15 mil postos de trabalho diretos no campo. Foto: Felipe Ulbrich/ABCCC

O anúncio ocorreu durante a Expointer, em Esteio (RS), no mesmo fim de semana em que aconteceu a final do Freio de Ouro, principal competição da raça no país. Para o presidente da ABCCC, César Hax, a mensuração reforça que o cavalo vai além do aspecto cultural: há forte geração de emprego e renda atrelada à cadeia.

Expansão do Cavalo Crioulo segue em ritmo acelerado

O levantamento do PIB do Cavalo Crioulo Nacional deverá se tornar instrumento para o projeto de expansão do setor. Hoje presente em todos os estados brasileiros, a raça teve aumento importante no número de eventos pelo país. Há poucos dias, 50 exemplares de Crioula, participaram pela primeira vez de uma exposição morfológica da raça na Festa de Peão de Barretos.

O cavalo Crioulo já realiza ações em 10 estados, passando de 35 cidades em 2023 para 57 em 2024, com crescimento médio de 14% ao ano em receita nos últimos quatro anos. A estratégia da ABCCC mira consolidar presença fora do Sul, começando por São Paulo e avançando para o Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

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Na paleteada, a raça é testada em sua habilidade e resistência. Foto: Maurício Vinhas/ABCCC

De acordo com o gerente de expansão da entidade, Gerson de Medeiros, o Crioulo é usado sobretudo na lida de campo, seguido por práticas esportivas como laço e Team Penning. “A expansão vai passar por maior expressão nas categorias esportivas no Brasil. Respeitando a cultura das regiões, o cavalo Crioulo tem muito a crescer. O laço é uma modalidade com potencial exponencial, visto que 80% dos cavalos que laçam hoje são Crioulos”, informou Medeiros em nota.

Entre os potenciais mercados futuros, destaca-se a vaquejada, tradicional no Norte e Nordeste, prevista como fronteira de crescimento já a partir de 2026. “Uma das características da raça é a adaptação. O cavalo Crioulo sai do extremo sul aqui com temperaturas negativas e vai para o Nordeste com mais de 40°C. Ele é muito resistente e resultado de anos de seleção”, ressaltou. 

Raça Cavalo Crioulo nasceu nos pampas

O cavalo Crioulo é uma raça gaúcha que surgiu a partir de equinos espanhóis trazidos ao sul do Brasil no século XVI, desenvolvendo-se em manadas selvagens nas condições adversas dos pampas. Ao longo de séculos, a seleção natural conferiu ao Crioulo rusticidade e resistência marcantes. A raça destaca-se por sua longevidade e adaptação à lida no campo. É o segundo maior plantel do país com 460 mil exemplares, atrás apenas do Quarto de Milha.

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